Atualizado em 23/04/2026 – 16:44
“O marceneiro monogâmico”, pode parecer um nome de romance, mas é apenas uma piada coletiva no meu bairro. O marceneiro não pode ser chamado de epítetos carinhosos porque é casado, e meus vizinhos conversam dias inteiros sobre isso há mais de um mês.
No meu bairro há um simpático grupo de whatsapp com mais de quinhentas pessoas. O objetivo é dizer onde tem coisa pra fazer: rocks, festinhas, promoções de cerveja, peças de teatro, shows e outras diversões.
De vez em quando, alguém também pergunta coisas de utilidades, quando essa utilidade não está na planilha de contatos do grupo, alimentada coletivamente e disposta no google drive: há marmitas, faxinas, encanadores, eletricistas e muito mais.
Esses dias, uma pessoa solicitou e outra concedeu o contato de Fulano marceneiro. Seria corriqueiro se não tivesse um engraçadinho bradando “não pode chamar de querido, nem de meu bem porque o marceneiro é um homem casado e exige respeito.”
A moça que precisava de marceneiro assustou-se e disse que consegue se relacionar de maneira respeitosa com prestadores de serviço. Alguém do grupo printou a descrição do whatsapp do rapaz e lá estava escrito:
“Por favor, me chame pelo meu nome Fulano. Não quero saber se é costume, mas não me chame de querido, nem meu bem. É desrespeito com marceneiro casado. Obrigado.”
Eis que começam a surgir mil teorias sobre os motivos do texto e da foto de Fulano: uma imagem de IA com o rosto da suposta esposa em frente ao suposto marceneiro numa conta comercial.
Os mais machistas do bairro acreditam que foi a esposa que escreveu a descrição. Os mais saidinhos querem saber que marceneiro fornece serviço de desempenar o armário e fazer strip tease ao mesmo tempo.
Há quem deseje madeirada. Que fulanex? Aquele que te come e conserta duplex. A fornecedora do telefone de Fulano voltou ao grupo para defender Fulano. Grande marceneiro, não é careiro, melhor orçamento e muito profissional.
A solicitante do contato disse que o orçamento era realmente conveniente, e por fim outros contratantes de Fulano apareceram. No fim das contas, o marceneiro é um querido, mas não pode ser adjetivado desta forma. O bairro decidiu respeitar.
No grupo, um moço queria chamar Fulano de delícia, já que não está no escopo de proibições. Enquanto isso um rapaz vizinho há um mês quis saber onde as quinhentas pessoas do grupo bebem cerveja, porque se cabe tanta risada do marceneiro monogâmico, num bar provavelmente somos ótimos.
“Gente, vocês param pra beber quando e aonde? Vocês parecem os vizinhos da Turma do Chaves!”, disse, antes de ser prontamente respondido.
Há quem esteja querendo abrir a CPI do marceneiro, descobrir como é o whatsapp da esposa dele, se ela pode ser chamada de querida. Não nos aprofundamos, entretanto.
O que se sabe até agora é que o branding de Fulano marceneiro está funcionando muito bem, que se tem placa tem história e que nenhuma viva alma se prestou a inserir o contato de fulano na planilha de contatos de prestadores de serviço do grupo.

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