De 1839, quando a primeira máquina fotográfica comercial foi lançada na França, até hoje, a evolução dessa técnica trouxe uma enorme disseminação. Estima-se que a humanidade tire cerca de 6 bilhões de fotos digitais por dia. Porém, quantas dessas fotos são guardadas? Qual a função dessas fotos?
Neste Dia Mundial da Fotografia (19/08), essa reflexão é importante. Fotos tornaram-se efêmeras, descartáveis. Troca-se o celular e, na maioria das vezes, perdem-se todas as fotos daquele período. A qualidade técnica das fotos é, a cada dia, mais fantástica devido ao equipamento-celular, apesar de a qualidade da exposição da arte ser, nem sempre, tão boa assim.
Enquanto a máquina (Gebrüder Huth, fabricada pela Photographische Manufaktur Gebrüder Huth, empresa alemã fundada em Dresden, no ano de 1886, por Theodor Hermann Huth) do meu tio-avô Benevides Lima Junior (Vovô Yoyo), dos anos de 1897, tirava apenas uma foto a cada 10 minutos ou mais, utilizando filme de vidro e estrato nítrico, o que gerava uma imagem negativa que depois teria de ser revelada em laboratório especial para então produzir a foto, no início dos anos 1950, as câmeras caixotes com filme Kodak tiravam até 36 fotos. Porém, ainda era necessário mandar revelar, gerando os rolos de negativos, e copiar as fotos escolhidas. Era caro tirar fotos e revelar, tudo “muito lento”, porém as fotos eram guardadas com muito carinho.
Minha família sempre foi amante da fotografia. Meu pai registrou mais de 8 mil fotos da família ao longo de mais de 70 anos dos seus 87 anos de vida. Todos os negativos estão guardados e preservados comigo. Portanto, esse dia não marca apenas uma data formal, mas a lembrança e o registro de toda uma vida familiar e de nossa cultura e história.
Além disso, o IHGVV, Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha, tem um acervo de mais de 30 mil fotos, entre fotos físicas e digitalizadas, antigas e mais modernas, que registra a história urbana de Vila Velha e do nosso estado do Espírito Santo.
Dignos de homenagens nessa data são todos os grandes fotógrafos capixabas. Citamos, em especial, o imigrante italiano Hugo Musso (1922/1978), fundador do Foto Clube Capixaba, que muito fotografou Vila Velha e o Espírito Santo. Lembramos ainda do capixaba Antonio Carlos Sessa Neto (1947/2025), o Tonico Gemada, que registrou por 65 anos a história e a política capixabas. Destaque especial para o capixaba Paulo Bonino, um mestre reconhecido nacional e internacionalmente como “o fotógrafo dos beija-flores”, com mais de 60 anos de carreira, e que fará mais uma exposição, no dia 25/08, no Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos, em Nova Almeida.
Mais do que contar a história, o olhar dos fotógrafos destaca e registra, através de suas câmeras, momentos marcantes ao longo das décadas.

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