Memórias de infância, saberes ancestrais e vivências em comunidades quilombolas e indígenas dão origem à exposição “Vermelho Urucum”, da artista Ione Reis. Primeira exposição individual institucional da artista, a mostra terá sua abertura na próxima sexta-feira (9), das 17h às 20h, na Galeria Homero Massena, no Centro de Vitória, e poderá ser visitada até 12 de dezembro.
Na exposição, que conta com curadoria da pesquisadora e artista visual Charlene Bicalho, a artista baiana e residente no Espírito Santo Ione Reis retoma tradições afro-indígenas como forma de reparação histórica. A proposta é perpetuar as suas formas de cura, afeto e fortalecimento dessas comunidades, destacando seus costumes ligados à natureza e sua importância na formação da cultura brasileira.
O urucum ocupa lugar central nesse processo. A artista utiliza a tintura do fruto nas obras e recupera práticas que fazem parte de suas lembranças familiares, desde a colheita até o uso do pilão e da peneira.
“A ideia de pintar com o urucum veio das minhas memórias de infância. No quintal da minha casa, havia um pé de urucum e eu brincava muito com as tintas. Nossas brincadeiras de crianças eram rodeadas dessa árvore e dos seus frutos, que a gente usava para pintar coisas, criar bichinhos e bonecas. O costume de peneirar e pilar o urucum sempre foi praticado pela minha família, por meus pais e avós”, relembra Ione.
Saberes que atravessam gerações
Nas obras, a artista resgata histórias de seus avós, de familiares, dos territórios originários, da relação com a terra, com o plantio e do convívio comunitário. A exposição apresenta também elementos de tradições como o Congo e o Ticumbi, referências a Orixás e diversas representações afro-indígenas, e iguarias ancestrais como o Beiju.
As obras aproximam experiências vividas em quilombos e aldeias da vida nas periferias urbanas, conectando passado e presente.
Parte da criação das obras expostas aconteceu durante a imersão de Ione Reis na Residência Artística Terra Saúva, integrando o Programa “Habitar os Vínculos”, no Cerrado da região de Botucatu, em São Paulo. A artista também se inspirou nas pesquisas e vivências em comunidades quilombolas de Conceição da Barra e na Aldeia Guarani de Aracruz, no Espírito Santo.
Sobre a artista
Multiartista e arte-educadora, nascida em 1997, em Itabatã, Bahia, Ione Reis vive e trabalha em Vitória, no Espírito Santo desde 2016. É bacharel em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com uma pesquisa que articula memória, território e ancestralidade a partir de uma poética afro-indígena, na qual a pintura, os pigmentos naturais, a instalação e outras linguagens constroem uma prática que a artista denomina “Artevivência”. Seu trabalho investiga as relações entre corpo, território e resistência, evocando saberes ancestrais e experiências afro-diaspóricas.
Com trajetória nacional e internacional, participou de exposições e projetos no Brasil, na África do Sul e no Peru, incluindo participação no Festival Nosotras Estamos en la Calle, em Lima. Também colaborou com iniciativas ligadas à ONU. Integra o coletivo nacional Trovoa e o acervo permanente do Museu de Arte do Espírito Santo (MAES). Em 2025, recebeu o Prêmio de Honra ao Mérito Cultural e foi condecorada como Comendadora do Estado do Espírito Santo pela Assembleia Legislativa, em reconhecimento à sua contribuição para a cultura.
Serviço:
Abertura exposição “Vermelho Urucum” – Ione Reis
Data: 09 de outubro (sexta-feira)
Horário: 17h às 20h
Entrada gratuita
Local: Galeria Homero Massena – Rua Pedro Palácios, 99 – Cidade Alta, Centro de Vitória (ES)
Visitação: de 09 de outubro a 12 de dezembro

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