O silêncio, que por muito tempo tentou apagar histórias, agora, se rasga em imagens, versos, vozes e gestos. Está em cartaz até 30 de abril, no Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane), a exposição “Rasgando o Silêncio: Vozes da Resistência”. A mostra é um convite sensível e potente para escutar memórias que seguem vivas nos territórios quilombolas do estado do Espírito Santo.
Todo trabalho é resultante de uma vivência educativa realizada por estudantes junto a comunidades quilombolas da região do Sapê do Norte, além de visitas ao território quilombola Angelim 1 e ao Morro de São Benedito. Dessas experiências nasceram poemas, fotografias, desenhos, pinturas, curta-metragem e registros audiovisuais que transformam aprendizado em arte e afeto; pesquisa em narrativa e educação em resistência.
“O projeto nasce do encontro entre escola pública, juventudes e territórios quilombolas, reconhecendo estudantes e comunidades como produtores legítimos de conhecimento, memória e arte”, destaca um dos responsáveis e orientadores, Luciano Tasso.
Instalada no Mucane, espaço fundamental para a preservação, valorização e reconhecimento da memória afro no Brasil, a exposição reafirma o museu como território de escuta, pertencimento e afirmação da história negra.
“Ao ocupar o Centro da cidade de Vitória, as obras criam pontes entre escola pública, juventudes, comunidades tradicionais e o público em geral, rompendo silêncios históricos e reafirmando a presença quilombola como parte viva da formação social e cultural da região”, declara o coordenador do espaço, Luiz Claudio dos Santos Pereira.
A curadoria é assinada por Ana Rita Lustosa, com coordenação geral de Tiago Vieira, direção de Alessandra Trabach Gobetti Burini e coordenação pedagógica de Vagner de Souza.
O projeto, concebido e desenvolvido pela Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Hildebrando Lucas, conta ainda com a colaboração de professores, estudantes, comunidades quilombolas e do Centro de Referência da Juventude (CRJ Território do Bem).
Mais do que uma exposição, “Rasgando o Silêncio” é um gesto coletivo. Como define Tiago: “É um gesto ético, pedagógico e político. Ao ocupar o museu, essas vozes rompem silêncios históricos e afirmam que resistência não é exceção, é continuidade.”
Funcionamento
A entrada para a exposição é gratuita e a classificação indicativa é livre. O Mucane está aberto de terça à sexta-feira, das 9 às 17 horas e aos sábados das 9 às 13 horas.
Serviço:
Exposição “Rasgando o Silêncio: Vozes da Resistência”
Quando: 10 de fevereiro à 30 de abril.
Local: Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane) – Avenida República, nº 121 – Centro Histórico de Vitória.
Horário de visitação: terça a sexta-feira, das 9 às 17 horas e aos sábados das 9 às 13 horas.
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: Livre
Informações: (27) 3222-4560.

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