Atualizado em 31/03/2026 – 16:51
Na reta final do mandato de Renato Casagrande à frente do governo do Espírito Santo, o estado se prepara para uma transição relevante. Seu vice, Ricardo Ferraço, deve assumir a chefia do Executivo estadual e, ao que tudo indica, será candidato à reeleição em outubro. O que ainda não está claro é qual será, de fato, o seu modelo de governo.
Com origem política em Cachoeiro de Itapemirim, Ferraço construiu sua trajetória a partir de posições mais conservadoras. Ao longo dos anos, acumulou diferentes experiências na vida pública, o que torna desnecessário revisitar aqui seu currículo. A questão central agora é outra: que tipo de liderança ele pretende exercer neste novo momento?
Ferraço dará continuidade ao governo Casagrande, ainda que com ajustes de orientação mais liberal ou à direita, ou promoverá uma inflexão mais profunda, capaz de alterar significativamente o rumo adotado até aqui? A história política recente mostra que escolhas mal calibradas na sucessão podem cobrar seu preço. O episódio envolvendo Max Mauro e Albuíno Azeredo é um exemplo recorrente dessa dinâmica.
A atual gestão ainda será objeto de avaliações mais detalhadas, mas há consensos. Áreas como Cultura, Obras e Mobilidade registraram avanços relevantes, sem que isso elimine críticas ou a necessidade de aprimoramentos. Resta saber se Ferraço manterá essas agendas como prioridade ou se optará por reposicioná-las.
Os sinais emitidos até agora não são particularmente animadores. Chamam atenção suas ausências em eventos simbólicos e estratégicos, como a Flinc, que ganhou projeção nacional, a condecoração da pesquisadora Tatiana Sampaio e outras agendas relacionadas a políticas públicas sociais e culturais. A ausência, nesse caso, também comunica.
Há ainda uma questão eleitoral relevante. Desde 2018, quando foi derrotado na disputa pelo Senado, Ferraço não se submete ao teste das urnas. Em que posição política ele se apresentará agora? Como um nome de centro-direita liberal ou mais alinhado a um campo mais radical? Em um cenário de disputa acirrada, não é improvável que diferentes lideranças busquem ocupar o mesmo espaço ideológico.
Desde 2003, Paulo Hartung e Renato Casagrande se alternam no comando do estado, o que moldou uma geração que não conheceu outro padrão de gestão. Ricardo Ferraço surge, portanto, como uma possível ruptura ou continuidade dentro desse ciclo. Em um contexto político e social mais complexo, tanto no Brasil quanto no mundo, sua tarefa será definir com clareza qual projeto pretende representar e em que direção deseja conduzir o Espírito Santo.

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