Atualizado em 25/02/2026 – 16:17
A primeira grande baixa do grupo político do governador Renato Casagrande neste ano eleitoral veio de Vila Velha. A troca de lado protagonizada por Arnaldinho Borgo oferece uma prévia do tom da disputa que se aproxima. Ainda assim, parte do entorno do governador e do Partido Socialista Brasileiro parece não ter assimilado a nova temperatura do cenário.
A nota discreta do PSB de Vila Velha sobre a desfiliação do vice-prefeito Cael Linhalis, em momento estratégico, foi um sinal disso. Outro exemplo está na atuação dos três vereadores do partido na Câmara de Vitória, que não se consolidaram, no imaginário popular, como contraponto efetivo ao prefeito Lorenzo Pazolini, hoje o principal polo de oposição ao Palácio Anchieta na capital.
Em meio a traições, hesitações e reposicionamentos, alguns nomes do campo governista têm demonstrado maior capacidade de reação. O deputado Gilson Daniel e o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, mantêm postura firme na defesa do grupo, mostrando leitura mais clara do momento político.
O novo desenho na Grande Vitória também merece atenção. Nos dois maiores colégios eleitorais da região, os prefeitos da capital e de Vila Velha se posicionam no campo de oposição a Casagrande, enquanto Euclério permanece alinhado ao governador. Todos já operam dentro da dinâmica eleitoral que o momento exige. Diferentemente do prefeito da Serra, Weverson Meireles, e de seu antecessor, Sérgio Vidigal, cuja movimentação ainda é discreta.
Apesar disso, o grupo casagrandista segue com melhores condições estruturais para a disputa. Ainda assim, no jogo político, quem aparenta maior articulação neste momento é o campo liderado por Pazolini. A frente vem se ampliando e já reúne nomes como Paulo Hartung, Evair de Melo, Arnaldinho Borgo e o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos.
O caso de Renzo é ilustrativo. Diferentemente da relação construída com Arnaldinho, o Palácio Anchieta manteve com o colatinense uma convivência distante e, por vezes, tensionada. Na eleição municipal, o governo apoiou outro candidato, que, após derrotado, foi incorporado ao primeiro escalão estadual, preservando a rivalidade local. Faltou um gesto político mais claro de recomposição. Na política, esses vazios costumam ser ocupados rapidamente.
Neste primeiro bimestre, há dois ritmos distintos. De um lado, um grupo que já se move com intensidade, ampliando alianças e aquecendo o jogo eleitoral. De outro, um campo que ainda parece calibrar sua estratégia, como se o calendário não tivesse avançado. Mas 2026 já está em março. E, em disputas dessa natureza, correções de rota precisam ser rápidas, firmes e públicas.
O capítulo 1 já foi escrito. Os próximos tendem a ser ainda mais movimentados.

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