Atualizado em 08/01/2026 – 20:48
Nos últimos dias, teve gente que comemorou o fato de Vitória ter fechado 2025 como a capital com o metro quadrado mais caro do país. O dado é real, vem do Índice FipeZAP, mas a leitura apressada gera uma conclusão imprecisa.
Vitória lidera quando o recorte é a média da cidade. Quando o olhar desce para o nível dos bairros, o cenário muda bastante.
Segundo o mesmo levantamento, os bairros com o metro quadrado mais caro do Brasil seguem concentrados principalmente no eixo Rio-São Paulo. O Leblon, por exemplo, ultrapassa os R$ 25 mil por metro quadrado, patamar bem acima dos bairros mais valorizados da capital capixaba, como Enseada do Suá e Praia do Canto, que giram em torno de R$ 17 mil. Na sequência do ranking nacional aparecem ainda Ipanema (Rio de Janeiro), Itaim Bibi (São Paulo) e Pinheiros (São Paulo), além da Savassi (Belo Horizonte), que se destaca fora do eixo Rio-São Paulo como um dos endereços mais valorizados do país.
Então por que Vitória aparece no topo entre as capitais?
A resposta passa menos por luxo extremo e mais por escala urbana.
Vitória é uma cidade pequena, insular, com território limitado e pouca margem de expansão. Essa característica reduz a distância econômica entre áreas nobres e áreas populares. Diferente de metrópoles extensas, onde bairros muito valorizados convivem com periferias amplas e distantes, a capital capixaba tem uma malha urbana mais compacta e homogênea.
Na prática, isso significa que bairros com preços mais baixos não têm peso suficiente para puxar a média geral para baixo. Mesmo regiões fora do eixo mais valorizado ainda estão relativamente próximas de serviços, infraestrutura, centralidades e da orla. O resultado é uma cidade onde quase tudo custa caro, ainda que poucos lugares atinjam valores extremos.
Quando o recorte é por bairro, Vitória não lidera o ranking nacional. Ela não tem os imóveis mais caros do Brasil. O que ela tem é um mercado imobiliário em que os preços são elevados de forma mais distribuída.
Esse dado ajuda a entender por que a cidade aparece no topo das médias nacionais e, ao mesmo tempo, levanta um debate importante: o encarecimento generalizado do território urbano, somado à escassez de terrenos, torna o acesso à moradia cada vez mais restrito.
Mais do que motivo de comemoração, o título revela um alerta. Vitória tem bairros de alto padrão, mas o encarecimento se espalha por quase toda a cidade. É uma capital pequena, consolidada e cara como conjunto. E isso tem impacto direto sobre quem tenta morar, permanecer ou se deslocar dentro da capital.
No fim das contas, a pergunta que fica não é quem lidera o ranking, mas quem consegue pagar para viver nele.

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