Na esfera federal, estadual ou municipal, são muitos os políticos que dizem valorizar a cultura. Na prática, porém, esse reconhecimento raramente ocupa o centro das decisões públicas. Nos últimos anos, além da omissão tradicional, surgiu também uma turma que trata a cultura como inimiga.
O contraste com países desenvolvidos é evidente. Em diferentes modelos de sociedade, a cultura ocupa lugar estratégico. França, China e Estados Unidos compreenderam, cada um à sua maneira, que cultura é identidade, economia, influência e projeto de país. No caso americano, a indústria cinematográfica foi uma das principais ferramentas de expansão simbólica pelo mundo.
O Brasil passou boa parte de sua história sem políticas públicas consistentes de fomento cultural. Fernando Henrique Cardoso tentou melhorar as condições do setor, mas o cenário político ainda não favorecia a mudança necessária. Com Lula, o país passou a tratar a cultura em outro patamar, com políticas públicas de vanguarda e nomes da dimensão de Gilberto Gil à frente do ministério.
Nos estados, a realidade sempre foi desigual. Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e Bahia historicamente desenvolveram ambientes culturais mais robustos. O Espírito Santo, por muito tempo, permaneceu na retaguarda dessa agenda.
Esse cenário começou a mudar no terceiro mandato de Renato Casagrande. Pela primeira vez, a cultura passou a ocupar posição de protagonismo no governo estadual, não apenas no discurso, mas na prática. A decisão política de incluir o setor entre as prioridades do governo encontrou outro elemento fundamental: a escolha de um secretário com domínio do tema, capacidade de articulação e compreensão da importância estratégica da área.
Fabrício Noronha assumiu esse papel.
O salto dado pela cultura capixaba não nasceu do nada. É necessário reconhecer o trabalho de agentes públicos, militantes culturais, artistas, intelectuais, produtores, gestores e cidadãos que, ao longo dos anos, ajudaram a construir esse ambiente. Mas foi na gestão Casagrande, com Fabrício à frente da Secretaria da Cultura, que esse acúmulo encontrou estrutura, prioridade e escala.
A Festa Literária, o Parque Cultural Casa do Governador, a reabertura do Teatro Carlos Gomes, as exposições no Palácio Anchieta, os grandes eventos e o Cais das Artes fazem parte de um conjunto de entregas que mudou a forma como a cultura é tratada no Espírito Santo.
Mais do que uma lista de obras e iniciativas, esse movimento produziu uma alteração de percepção. A cultura passou a ser vista como política pública estruturante. Chegou a territórios menos desenvolvidos, qualificou espaços de lazer, fortaleceu a imagem do estado, movimentou a economia e abriu caminho para uma sociedade mais criativa, mais plural e mais desenvolvida.
Naturalmente, ainda há muito a fazer. Também houve equívocos, como ocorre em qualquer gestão pública. Mas o saldo do chamado Casagrande 3 na cultura é superior ao que até mesmo muitos defensores históricos da área poderiam esperar.
Há um ditado no futebol segundo o qual goleiro só deve ser elogiado quando o jogo termina, porque a falha pode aparecer a qualquer momento. A lógica também vale para políticos e gestores públicos. Elogios, quando feitos antes do apito final, sempre carregam algum risco.
Ainda assim, é possível registrar o que já está posto. Fabrício Noronha é, até aqui, o melhor secretário de Cultura que o Espírito Santo já teve. E, pela primeira vez, a cultura foi alçada ao papel de protagonista em um programa de governo estadual.
Isso não é pouco. Para um estado que passou tempo demais tratando cultura como adereço, é uma mudança de época.

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