Atualizado em 21/04/2026 – 12:18
Na próxima sexta-feira (24), a companhia artística Mais Um Ponto, Mais Um Conto irá apresentar o espetáculo infantil gratuito ‘Calunga: a princesa que virou boneca’, no Espaço Cultural do Grupo de Teatro Rerigtiba, em Anchieta. A montagem vai percorrer também os municípios de Serra, Colatina, Vitória e Guaçuí.
A proposta é levar ao público uma narrativa que articula ancestralidade, cultura popular e protagonismo negro, ampliando o acesso à arte e fortalecendo o diálogo com diferentes comunidades.
A peça aborda aspectos da cultura afro-brasileira e apresenta temas como amizade, coragem e amor por meio de narrativas que destacam o uso dos próprios dons para o bem. A obra acompanha a trajetória de uma princesa destemida que descobre, em sua jornada, o verdadeiro significado de pertencimento até que um acontecimento inesperado transforma seu destino: para cumprir sua missão, Calunga se torna boneca.
Com linguagem que integra oralidade, dramatização, dança, manipulação de bonecos, projeções e música, o espetáculo constrói uma experiência cênica imersiva e sensível para o público infantil. De forma leve e lúdica, a narrativa dialoga com referências da cultura popular afro-brasileira e capixaba, conectando a história de Calunga à Lenda da Casaca.
A origem da personagem está ligada aos vínculos ancestrais entre países do continente africano e o Brasil. No contexto brasileiro, a Calunga é um elemento sagrado, com relação direta com o Maracatu, tradição do Nordeste, e que também se associa ao Congo capixaba. Ao trazer essa simbologia para o centro da cena, o espetáculo fortalece a presença de uma menina negra em lugar de protagonismo e reafirma a importância de narrativas construídas a partir de perspectivas negras.
A obra também valoriza o papel dos griôs como guardiões e multiplicadores de saberes, colocando a história, a oralidade e a literatura negra como bases fundamentais para a construção de uma sociedade culturalmente consciente. A proposta dialoga diretamente com as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tratam da obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.
O projeto é realizado com recursos do Edital n° 19/2024 – Culturas para Infâncias, da Secretaria da Cultura (Secult), e conta com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), do Governo Federal.
Reconhecimento nacional
Calunga foi destaque no Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, onde conquistou oito dos dez prêmios da categoria, incluindo Melhor Espetáculo para Infância e Juventude, Direção, Texto, Atriz, Ator Coadjuvante, Iluminação, Cenografia e Trilha Original, além de um prêmio especial do júri pela forma sensível com que aborda temas complexos. Durante o festival, o espetáculo também recebeu a avaliação de um dos jurados como “uma obra de utilidade pública”, reafirmando sua relevância artística e social.
Criadora do espetáculo, Eliane Correia declara que “a obra dialoga com a realidade de inúmeras meninas pretas que não se veem representadas em nossas literaturas para infância e juventude, é uma forma de mostrar que também existem princesas negras e que nem toda princesa é educada só para enfeitar palácios. A partir de uma pesquisa histórica que reúne depoimentos, dança, musicalidade e elementos lúdicos, buscamos recontar a história de Calunga para despertar o pertencimento cultural e valorizar narrativas de luta, resistência e conquistas de crianças negras. Promovendo o protagonismo infantil a partir de suas raízes ancestrais.”
Ações formativas
O projeto também realiza a oficina ‘Boneca Abayomi: Afeto, Cultura e Identidade’, voltada para meninas de 6 a 12 anos, totalmente gratuita e aberta ao público. A atividade propõe uma vivência educativa e cultural por meio da confecção artesanal das bonecas Abayomi, feitas com retalhos de tecido e sem o uso de costura.
A oficina integra história, arte e expressão, estimulando a criatividade, o fortalecimento da autoestima e o reconhecimento da identidade cultural, além de promover valores como respeito, empatia e convivência coletiva. Com duração de quatro horas, a metodologia inclui roda de conversa, momento de criação e encerramento simbólico com práticas culturais.
Acessibilidade
O projeto também contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras e dispositivos de apoio para pessoas com sensibilidade sensorial, garantindo maior equidade no acesso às apresentações.
Ficha Técnica
Caio Pereira – Avó Iroko
Eliane Correia – Calunga
Direção- Eliane Correia e Ronny Pires
Iluminação – Carlos Ola e Matheus Soares
Sonoplastia- Eliane Correia e Gui Vieira
Contra-regra- Rosangela Correia
Cenografia- João Batista de Moraes
Serviço
Circulação da oficina ‘‘Boneca Abayomi: Afeto, Cultura e Identidade’’ e espetáculo ‘Calungá: a princesa que virou boneca’
Anchieta
Data: 24/04 (sexta-feira)
Oficina
Horário: 8h às 12h
Local: Cras – Rodovia Anchieta x Jabaquara, Nova Esperança, Anchieta
Espetáculo
Horário: 14h
Local: Espaço Cultural do Grupo de Teatro Rerigtiba – Av. Oliveira, nº 334, anexo, no bairro Justiça II
Serra
Data: 06/05 (quarta-feira)
Oficina
Horário:8h às 12h
Local: Estação Cultura – Av. Domingos José Martins, Serra
Apresentação
Horário: 14h
Local: Espaço Cultura – Av. Domingos José Martins, Serra – ES
Colatina
Data: 07/05 (quinta-feira)
Oficina
Horário: 8h às 12h
Local: Auditório da EMEIEF Amélio Forechi – Hamilton Azevedo Rebello, sn. São Braz, Colatina
Apresentação exclusiva para os alunos da EMEIEF Amélio Forechi
Vitória
Data: 08/05 (sexta-feira)
Oficina
Horário: 8h às 12h l
Local: R. São Gonçalo, Centro, Vitória (Em frente ao Palácio Anchieta)
Apresentação
Horário: 14h
Local: R. São Gonçalo, Centro, Vitória (Em frente ao Palácio Anchieta)
Guaçuí
Data: 11/05 (segunda-feira)
Oficina
Horário: 8h às 12h
Local: R. José Beato Sala 101, nº 144, Centro, Guaçuí –
Apresentação
Horário: 14h
Local: Av. Gov. Lacerda de Aguiar, s/n – Centro, Guaçuí
Todas as apresentações são gratuitas
Sobre as oficinas:
As inscrições podem ser realizadas atraves do link: https://forms.gle/URNvHUGjQ28w5Ste9
Público alvo: meninas de 6 a 12 anos
Oficina gratuita

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