Atualizado em 26/03/2025 – 23:08
Após sequência de adiamentos, a abertura das lojas do Mercado da Capixaba, no Centro de Vitória, ganha uma nova data. O último prazo divulgado à imprensa, de que a área comercial começaria a funcionar no final de março, não será cumprido e, agora, o Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa (IBGP), concessionária responsável pelo local, planeja que aconteça na segunda quinzena de abril.
Em nota destinada ao VIXFeed, a representante do IBGP, Isabella Capdeville, informou que o novo prazo visa dar mais tempo de preparo aos comerciantes: “Esse prazo foi solicitado pelos lojistas para que conseguissem montar a estrutura física e para que pudessem receber os estoques de produtos e a contratação de mão-de-obra”, explicou.
O início das atividades das lojas do Mercado da Capixaba já se arrasta há alguns meses: após a finalização das obras, o evento de apresentação da estrutura renovada do imóvel aconteceu em julho de 2024 e a primeira informação divulgada pelo IBGP previa a abertura das lojas para outubro do mesmo ano. Depois, ocorreu a primeira mudança de prazo e o começo do funcionamento foi novamente marcado para a segunda quinzena de janeiro de 2025. Devido às chuvas que aconteceram no início do ano, foi preciso realizar ajustes nas estruturas do prédio e a abertura das lojas recebeu um novo prazo, para o final do mês de março.
O VIXFeed também procurou a Prefeitura de Vitória para saber sobre o acompanhamento do município e relação à obra e ao cumprimento dos prazos, mas não houve resposta.
Próximos passos
Na segunda quinzena de abril, de acordo com a nota divulgada pela IBGP, os primeiros estabelecimentos que abrirão suas portas serão a filial da Avivar Afro, a loja de acessórios do Axé São Jorge/Ogum, lojas de artigos para turismo, a Alves Couros e a Scalzer Perfumaria Artesanal.
Ainda em abril ocorrerá abertura da Choperia Nova Estrela e do Bartuque Bar. Segundo a nota, outros empreendimentos, como a Sorveteria 40 Sabores e alguns bares, estão em início de obras e contratações com previsão de 40 a 50 dias para o início das atividades.
A comerciante Leila Nascimento, dona da Scalzer Perfumaria Artesanal, contou que fechou o contrato de aluguel há poucas semanas e, agora, se ocupa com os preparativos.
“Desde que eu fechei o contrato, eu estou ‘na correria’. Eu quero que dê certo, que na data ali já esteja, pelo menos, bem adiantado. Eu já encomendei os móveis para o espaço, estou ‘vendo’ um marketing para a divulgação e também os letreiros. É muita correria, mas eu creio que vai dar certo”, explicou a empreendedora.
A Scalzer Perfumaria Artesanal trabalha com essências e kits para perfumar ambientes e, no último ano, funcionava em um estande dentro de um shopping center na Grande Vitória. Leila afirma que a oportunidade de ter um espaço como o fornecido pelo mercado é a “realização de um sonho” e mostra expectativa.
“Aqui [no shopping], eu tenho um público grande, já fidelizado. Agora, eu tenho muita expectativa ali [no Mercado da Capixaba]. Tem tudo para ser um ponto chave para dar um andamento ali no Centro de Vitória. Ser um ponto turístico, um ponto de atrações. Eu tenho uma expectativa boa”, declarou a lojista.
Eventos culturais
Apesar da demora na abertura das lojas, desde o ano passado, o Mercado já recebe eventos culturais em seu pátio interno. Aconteceu, no Natal de 2024, um concerto a céu aberto. O local também recebeu a comemoração dos 70 anos da escola de samba Piedade e a comemoração de 17 anos do bloco Regional da Nair.
Neste mês, o Mercado recebeu o grupo Urban Sketchers Vitória, que se reúne para desenhar cenas do cotidiano e paisagens arquitetônicas.
“A proposta de realizar eventos no Mercado da Capixaba antes da abertura oficial das lojas comerciais é uma estratégia para engajar a comunidade local e criar um senso de pertencimento. Essa iniciativa não só apresenta o espaço, mas também promove a interação entre os moradores e o futuro ambiente comercial”, afirma a nota divulgada pela IBGP.
Ainda de acordo com a nota, desde dezembro do ano passado, a concessionária tem apoiado e desenvolvido junto com professores do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), um projeto científico de abafamento de som para melhor recepcionar as atividades culturais que acontecerão no vão central do Mercado da Capixaba.
A história do Mercado da Capixaba
O Mercado da Capixaba, inaugurado em 1926, foi peça importante do Centro de Vitória. Sua localização privilegiada o tornou um ponto importante do comércio e casa de diversas instituições capixabas ao longo das décadas, porque a antiga Avenida Capixaba (atualmente chamada de Avenida Jerônimo Monteiro) era a principal via que ligava a capital aos municípios de Cariacica e Vila Velha.
O local era lar de diversas lojas e em seu pavimento superior já funcionaram o Hotel Avenida, o auditório da Rádio Club do Espírito Santo e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Em 1983 devido à sua importância histórica e arquitetônica, o prédio foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura.
A Prefeitura de Vitória assumiu a posse do mercado na década de 1990. No ano de 2002, um incêndio atingiu o pavimento superior do imóvel, que desde então ficou desocupado. Por questões de segurança, o edifício foi completamente desocupado em 2017 e permaneceu fechado até 2022, quando começaram as obras de restauração da estrutura do local.
A discussão de uma restauração começou em 2020, durante a gestão de Luciano Rezende na Prefeitura de Vitória. As obras foram inicialmente prometidas para o segundo semestre daquele ano, o que não aconteceu por conta da pandemia de Covid-19. Em 2021, já na gestão de Pazolini, foi feita uma nova promessa pela administração municipal, com o início das obras previstas para o primeiro semestre de 2022.
As obras tiveram início no segundo semestre de 2022 e foram concluídas e apresentadas ao público em julho de 2024. O projeto resgatou as características originais do imóvel e incluiu 16 espaços para locação por empreendedores. Também foram adicionadas melhorias para garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência.
A Prefeitura enfrentou alguns desafios antes de concretizar o Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa (IBGP) como a concessionária que administraria o local, em maio de 2024. Durante a gestão, o local começou a receber eventos culturais no pátio interno, mas o funcionamento do comércio no primeiro pavimento ainda não teve início.

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