Nesta eleição, os capixabas escolherão dois nomes para representar o Espírito Santo no Senado. Das três cadeiras do estado, duas estarão em disputa. A terceira segue ocupada por Magno Malta, que ainda tem quatro anos de mandato pela frente.
Magno está no meio de seu atual mandato, mas sua presença na política já atravessa décadas. Foi vereador, deputado estadual, deputado federal e senador por praticamente 20 anos. Agora, sua filha, Maguinha, também se apresenta como candidata a uma das vagas ao Senado.
A trajetória de Magno sempre esteve fortemente associada a um segmento do público evangélico e ao discurso recorrente de “defesa da família”. A questão, porém, é concreta: depois de tantos anos ocupando cargos públicos, o que Magno Malta entregou, de fato, para melhorar a vida das famílias brasileiras e capixabas?
A família brasileira, independentemente da religião, enfrenta preocupações muito objetivas. Economia, segurança, saúde, educação, moradia, transporte, alimentação e tempo de convivência aparecem entre as demandas centrais da vida cotidiana. São esses temas que atravessam a rotina de mães, pais, avós, trabalhadores e jovens.
Por isso, quem se apresenta como defensor da família precisa ir além do discurso. Precisa mostrar projetos aprovados, articulações realizadas e resultados concretos em áreas que realmente afetam a vida das pessoas.
Magno também integra uma numerosa bancada evangélica, o que poderia ampliar sua capacidade de articulação no Congresso. Se a prioridade fosse transformar a defesa da família em políticas públicas, haveria espaço político para construir propostas, negociar apoios e apresentar resultados.
Programas como o Bolsa Família, que ajudou a retirar milhões de brasileiros da miséria, o Pé-de-Meia, que cria uma poupança para estudantes, o Minha Casa, Minha Vida, que amplia o acesso à moradia, o fortalecimento do SUS, a discussão sobre tarifa zero no transporte público e o debate sobre o fim da escala 6×1 são exemplos de políticas que dialogam diretamente com a vida das famílias.
A pergunta, portanto, permanece: quais dessas agendas foram bandeiras de Magno Malta? Quais projetos de sua autoria, em quase duas décadas de Senado, melhoraram de forma concreta a vida das famílias que ele diz defender?
Políticos precisam entregar mais do que palavras de ordem. Um discurso de cunho religioso pode mobilizar parte do eleitorado, mas não substitui políticas públicas. Para ir à igreja, ao trabalho, à escola, ao posto de saúde ou a qualquer outro lugar, as famílias precisam de transporte, segurança, renda, alimento, moradia, educação e tempo.
Defender a família brasileira deveria significar defender condições reais para que ela viva melhor. Isso vale para os senadores que repetem diariamente esse jargão e também para os que não o utilizam. A diferença está na prestação de contas.
Depois de tantos anos de mandato, Magno Malta pode e deve mostrar quais foram suas entregas. Porque a defesa da família, quando sai do palanque e encontra a vida real, precisa caber no orçamento, no ônibus, na escola, no hospital, na mesa e no tempo de descanso de quem trabalha.

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