Atualizado em 08/06/2026 – 17:02
A gestão pública eficiente se realiza em paralelo à observância de boas leis. Ao analisar as legislações de referência no Brasil sobre esporte, percebe-se que as Constituições brasileiras anteriores a 1988 foram omissas em relação à educação física e ao esporte em geral. Coube às Constituições estaduais dedicar espaço a esses temas, normalmente inserindo o desporto nas diretrizes da educação e da cultura.
No Espírito Santo, a Constituição de 1967 previa, de forma minimalista, que competia ao poder público fomentar a educação física por meio da construção de praças esportivas, segundo as necessidades locais e regionais. Outros Estados avançaram para regulações mais estruturadas sobre o tema, como Minas Gerais, que previu a criação de um sistema estadual de desportos, e o Rio Grande do Sul, que impôs ao gestor público o dever de estimular a educação física e investir em organizações desportivas e amadoras.
Mais de 50 anos depois, no Espírito Santo, os gestores públicos seguem presos à mesma cartilha: construir praças ou zelar por elas. O descompromisso político com o esporte é enorme. As secretarias de esporte são, politicamente, tratadas como uma “não política pública”, como serviço assistencial, mera beneficência. Vão sendo entregues a compromissos políticos de terceiro escalão.
É preciso fazer um resgate urgente. O poder de sensibilização popular e a pujança social do esporte resultam em um interesse público democrático gigantesco, capaz de lançar e resgatar valores insubstituíveis da vida social. O esporte, por sua própria natureza, exige articulação entre capacidade intelectual e física, ao mesmo tempo que contribui para a implantação de hábitos saudáveis, estimula a força de vontade individual, fortalece a tendência à liderança e ensina regras de convivência social que favorecem o sentido de união comunitária. A dureza da disciplina no esporte fortalece o espírito.
Construir ou zelar por praças pode ser um fator positivo, principalmente para quem as inaugura, mas a essencialidade está em destinar recursos públicos substanciais ao incentivo do esporte, com planos claros de formação esportiva e recreativa, tanto no nível comunitário quanto no competitivo e de alto rendimento, garantindo escuta e participação àqueles que militam na área.
É necessário estabelecer um planejamento de infraestruturas e serviços integrados. Trata-se de investimento social. É construir valores para além de muros, grades e bancos.

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