Atualizado em 27/05/2026 – 17:05
O Coletivo Criativo Prainha lançou um manifesto em defesa da integridade visual do Convento da Penha, um dos principais símbolos históricos, religiosos e afetivos do Espírito Santo. O movimento chama atenção para o uso de imagens produzidas por inteligência artificial que têm deformado representações de patrimônios históricos capixabas sem cuidado com a cultura patrimonial.
A mobilização nasce da preocupação com a forma como monumentos e paisagens históricas vêm sendo retratados em peças digitais, materiais gráficos, intervenções visuais e conteúdos promocionais. Para o coletivo, a criatividade precisa caminhar junto com responsabilidade, especialmente quando envolve lugares que carregam séculos de memória e pertencimento.
No manifesto, o grupo afirma que o Convento da Penha é parte essencial da paisagem cultural de Vila Velha. Sua presença sobre a montanha, em diálogo com a vegetação, o céu e o mar, forma uma imagem reconhecida por gerações de capixabas, peregrinos e visitantes.
A crítica do coletivo não se dirige ao uso da tecnologia em si. A posição defendida é pelo uso técnico, correto e responsável da inteligência artificial, sem descaracterizar a arquitetura original, a história local e o valor simbólico do patrimônio.
“Somos a favor da utilização da IA de forma técnica correta e com muita responsabilidade”, destaca o grupo.
A articulação ganhou novos encaminhamentos em reunião realizada na galeria-store VilaZinha Espaço Artes, na Pousada VilaZinha, na Prainha. Participaram do encontro os artistas Celso Adolfo e Di Araujo, a artista e empreendedora Emanuele Righetti, o designer Felipe Facini, o pesquisador Sr. Motta e o produtor cultural Manoel Goes.
Entre as primeiras ações definidas pelo Grupo de Trabalho do Coletivo Criativo Prainha estão a publicação do manifesto definitivo, a criação de uma galeria virtual reunindo imagens consideradas inadequadas pelo coletivo, a organização do concurso “Pinte o Convento da Penha” e a ampliação do debate sobre outros patrimônios históricos de Vila Velha.
O grupo também pretende buscar parcerias com instituições como IPHAN, Ifes, Faculdade Vasco Coutinho, Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha, Sebrae e Prefeitura de Vila Velha para promover palestras, oficinas e rodas de conversa sobre educação patrimonial.
A proposta central é ampliar a consciência pública sobre a preservação da memória, da paisagem e da identidade cultural da cidade. Para o coletivo, qualquer ação visual envolvendo o Convento da Penha deve partir do respeito à arquitetura original, à paisagem da Prainha e à história de Vila Velha.
O manifesto encerra com uma defesa direta da preservação do monumento: a beleza do Convento da Penha não precisa ser reinventada. Precisa ser compreendida, respeitada e preservada.

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