Atualizado em 12/05/2026 – 14:11
A Casa da Música Sônia Cabral, no Centro de Vitória, recebe, nestas quarta-feira (13), quinta-feira (14) e sexta-feira (15), o espetáculo de dança contemporânea Célula. A obra, criada e dirigida pela diretora cênica Endi, investiga o corpo em colapso e regeneração, refletindo sobre a busca pelo essencial em uma sociedade que molda indivíduos para se encaixarem. As apresentações gratuitas acontecem sempre às 19h.
O espetáculo também contará com ações de acessibilidade. No primeiro dia de apresentação haverá intérprete de Libras; no último, audiodescrição. Além disso, serão distribuídos protetores auriculares para pessoas com sensibilidade auditiva.
“Quero que o público com deficiência visual tenha uma experiência mais completa possível, que possa ter contato físico com o figurino e com a cenografia”, afirma a diretora cênica Endi.
A obra propõe uma reflexão sobre um mundo em que as pessoas nascem moldadas e crescem tentando se encaixar, tornando a busca pelo essencial uma batalha contra a sociedade e também contra si mesmas.
Célula já foi apresentado na Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música FAFI, também no Centro de Vitória, nos dias 29 e 30 de abril, com grande participação do público. Segundo Endi, o retorno foi bastante positivo. “Muitos disseram que se emocionaram, que é algo diferente do que estão acostumados a ver, uma perspectiva distinta de produzir dança”, comenta.
De acordo com a diretora, elementos como o improviso, as performances e a integração de diferentes linguagens artísticas incluindo artistas que cantam durante a apresentação têm chamado a atenção do público.
A montagem foi contemplada pelo Edital nº 10/2023 – Artes Cênicas, da Secretaria da Cultura (Secult), com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura).
Pesquisa e processo criativo
A pesquisa que dá origem ao espetáculo parte do conceito de “corpo dócil”, de Michel Foucault, entendido como um corpo moldado, vigiado e disciplinado pela sociedade. Também dialoga com o conceito de “corpo sem órgãos”, de Antonin Artaud, que propõe um corpo em rebelião contra estruturas fixas, reinventando-se a partir do desejo.
A proposta de Célula é apresentar uma dança de mutações: corpos que morrem para renascer, se dividem para multiplicar e se dissolvem para reencontrar o próprio centro. O processo criativo foi estruturado como um laboratório de pesquisa em dança contemporânea, articulando práticas corporais, estudos teóricos e experimentações cênicas.
O ambiente de criação foi pautado pela escuta e pela colaboração, reconhecendo cada participante como um território singular de investigação e expressão. Em 27 de março, o espetáculo realizou um ensaio aberto no Espaço Cultural Má Companhia, no Centro de Vitória, apresentando ao público parte do material desenvolvido até então e promovendo um bate-papo sobre o processo de criação.
A construção colaborativa começou ainda no fim de 2025, quando o projeto selecionou cinco intérpretes-criadores e uma auxiliar de direção, todos atuando de forma remunerada.
Os participantes não precisavam ter formação prévia em dança. Como forma de valorizar a diversidade e a inclusão, foram priorizadas pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, gordas, com deficiência e maiores de 45 anos, que participaram de formações e encontros voltados à investigação de práticas anticoloniais nas artes da cena.
Capixaba de Vitória e pessoa com deficiência pois possui visão monocular, Endi desenvolve, desde 2016, uma pesquisa centrada no corpo como campo de tensão entre opressão, libertação e imaginário, dialogando com temas como performatividade, subjetividade, dissidências, espiritualidade e futuridades.
Formada em Dança Contemporânea pela FAFI, com passagem pelo curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal da Bahia, Endi atua como diretora, roteirista e performer em mais de quinze obras. Também possui formação técnica em Modelagem do Vestuário pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Vasco Coutinho, além de estudos em figurino, roteiro, videodança e processos de criação. Sua pesquisa artística se materializa em obras que tensionam corpo, política e poética, criando experiências sensoriais que investigam limites, fragilidades, rupturas e metamorfoses.
Serviço
Espetáculo de Dança Contemporânea “Célula”
Data: 13, 14 e 15 de maio, quarta a sexta-feira.
Horário: 19h
Local: Casa da Música Sônia Cabral, Praça João Clímaco, s/n – Centro, Vitória.
Entrada: Gratuita, sujeita à lotação do espaço. Recomenda-se chegar com 30 minutos de antecedência para retirada dos ingressos.
Acessibilidade: intérprete de Libras no primeiro dia; audiodescrição no último; distribuição de protetores auriculares para pessoas com sensibilidade auditiva.
Ficha técnica
Direção: Endi
Assistência de direção: Ruth Rangel
Elenco: Branú Soares, Davi Ramos, Diwarian Pêgo, Isabella do Rosário e Makapon Puri
Produção: Thalia Peçanha
Cenário: Thiago Sobreiro
Figurino: Joelma Silva
Iluminação: André Stefson
Trilha sonora: Alessa Felix e Jenni Prélio (Doce Caseiro Duo)
Assessoria de imprensa: Elaine Dal Gobbo

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