Atualizado em 23/03/2026 – 10:07
Dayse Barbosa Mattos foi morta a tiros dentro de casa na madrugada desta segunda-feira. O crime, investigado como feminicídio, acontece no mês em que o mundo debate os direitos das mulheres
Vitória perdeu, na madrugada desta segunda-feira (23), uma das figuras mais simbólicas de sua segurança pública. Dayse Barbosa Mattos, comandante da Guarda Municipal de Vitória e primeira mulher a ocupar esse cargo na história da corporação, foi assassinada dentro de casa, no bairro Mário Cypreste, enquanto dormia. O suspeito é Diego Oliveira de Souza, 39 anos, policial rodoviário federal lotado em Campos dos Goytacazes (RJ) e ex-namorado da vítima. Após o crime, ele tirou a própria vida.
Segundo as informações apuradas até o momento, Diego escalou a marquise da residência com o auxílio de uma escada e surpreendeu Dayse enquanto ela dormia. Ela foi atingida por cinco disparos. O agressor foi encontrado morto na cozinha do imóvel. O caso foi registrado por volta das 3h e a Polícia Civil investiga o crime como feminicídio na modalidade clássica, quando há relação afetiva ou íntima entre autor e vítima.
Uma trajetória construída com determinação
Dayse entrou para a Guarda Municipal em 2012. Formada em Pedagogia, ela trilhou uma carreira na segurança pública marcada por dedicação e protagonismo. Tornou-se a primeira mulher a assumir o comando de uma corporação que, por mais de duas décadas, foi liderada exclusivamente por homens. Para colegas e para a gestão municipal, ela era referência de competência e seriedade.
Horas antes de ser morta, Dayse havia publicado em suas redes sociais uma mensagem sobre os direitos das mulheres, ironia cruel num mês que o mundo inteiro dedica à causa feminina.
Sinais que não puderam ser ignorados
O relacionamento entre Dayse e Diego já havia sido marcado por episódios de violência. Segundo relatos colhidos pela polícia, o agressor tinha arrombado a porta da residência dela em outra ocasião. Há cerca de cinco meses, ele teria quebrado o portão da casa, apoderado-se da arma da vítima e a ameaçado. Dias antes do crime desta madrugada, novas ameaças teriam sido feitas.
O pai de Dayse afirmou à imprensa que “teve um pressentimento” sobre o que poderia acontecer. A Secretaria de Segurança do município declarou não ter tido conhecimento das ameaças sofridas pela comandante.
Os celulares de ambos foram apreendidos e serão analisados pela investigação.
Luto e reflexão
O caso reacende um debate urgente: mesmo mulheres em posições de poder, inseridas no universo da segurança pública, não estão imunes à violência doméstica. Março é o mês em que se celebra conquistas femininas — e também o mês em que se deve olhar, sem desviar o olhar, para o que ainda precisa mudar.
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência doméstica, ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas, todos os dias.

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