Atualizado em 26/02/2026 – 18:14
Em passagem pelo Espírito Santo para receber a condecoração Jerônimo Monteiro, a maior honraria estadual, a pesquisadora Tatiana Sampaio, que lidera no país as pesquisas sobre a molécula polilaminina para o tratamento de lesões medulares, participou de uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (26) no Palácio Anchieta, em Vitória. Ao lado de outros pesquisadores do projeto, ela destacou o papel do Estado na viabilização do uso compassivo da substância e apresentou os avanços do projeto, que entra agora em uma nova etapa de estudos clínicos em humanos.
Durante a coletiva, Tatiana afirmou que o apoio institucional do Espírito Santo foi fundamental para a operacionalização das primeiras aplicações da polilaminina. Segundo ela, o Estado funcionou como um “laboratório” para a implementação do uso compassivo, modelo que posteriormente passou a servir de referência para outras iniciativas no país.
Atualmente no Estado, cinco pacientes receberam a aplicação da polilaminina no âmbito do uso compassivo. Dois deles, que apresentavam comorbidades graves, faleceram em decorrência do quadro clínico, sem relação com a medicação, os outros três seguem em acompanhamento.
Tatiana Sampaio também comentou sobre a importância da aproximação entre ciência e sociedade, destacando que casos como o da polilaminina contribuem para tornar a pesquisa científica mais visível no cotidiano das pessoas.
“Dá a sensação de que existiu uma demanda, de que as pessoas queriam ver isso, tinham vontade, tinham desejo de ver a ciência, a ciência se conectando com a realidade de todo mundo, né? Então, eu acho que está indo tudo bem nesse sentido”, disse.
Uso ainda depende de decisão judicial
A polilaminina é uma substância estudada há anos no Brasil, sendo possível observar efeito na regeneração de lesões na medula espinhal, mas ainda não está liberada para uso geral no país. O que existe até o momento é a autorização da Anvisa para o início de um estudo clínico em fase 1, etapa inicial em que o principal objetivo é verificar se o uso da substância é seguro em seres humanos, e não ainda comprovar se ela funciona.
Enquanto as pesquisas não avançarem para novas fases, que avaliam eficácia e resultados em um número maior de pacientes, a polilaminina não pode ser comercializada nem aplicada de forma rotineira. Atualmente, seu uso ocorre apenas em situações específicas mediante autorização judicial, o que caracteriza um uso excepcional e não uma aprovação oficial do tratamento.
O vice-presidente do Laboratório Cristália, Rogério Almeida, esteve no Palácio Anchieta e também confirmou a aprovação do protocolo do estudo clínico de fase 1 pelo Comitê de Ética do Hospital das Clínicas de São Paulo. Com isso, terá início o treinamento de neurocirurgiões e o recrutamento de cinco pacientes, que serão acompanhados por seis meses. Ao final, os dados serão encaminhados à Anvisa, junto com o pedido de autorização para o estudo clínico de fase 2, voltado à avaliação de eficácia.
“Os critérios hoje para esses pacientes são de 18 a 72 anos de idade, lesão medular completa na altura torácica dentro da janela de 72 horas”, explicou Rogério Almeida.

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