A estratégia Rede Abraço Mulher e as Polícias Civil, Militar e Científica assinaram na última quinta-feira (20), em Vitória, a Portaria Conjunta para integrar a segurança pública e o acolhimento especializado em álcool drogas no Estado, ofertado pela Rede Abraço.
O objetivo do documento é somar forças e agilizar o atendimento às mulheres que enfrentam problemas associados ao uso de álcool e outras drogas e enfrentam, também, qualquer forma de violência. A iniciativa não altera nem interfere no fluxo tradicional de atendimento às mulheres vítimas de violência em quaisquer agências estatais e protocolos vigentes.
Durante o atendimento na Rede Abraço, quando forem identificadas situações de violência, as mulheres serão encaminhadas com urgência para os serviços especializados de cuidado e proteção, e os casos notificados obrigatoriamente junto ao SUS, como de praxe.
Essa iniciativa é um esforço conjunto para ampliar acessos. Assim, as assistidas da Rede Abraço que apresentarem sinais ou relatos de violência serão encaminhadas imediatamente aos órgãos policiais, bem como as atendidas encaminhadas pelas forças policiais que apresentem demandas urgentes de saúde, serão prontamente encaminhadas para serviços da rede de saúde e assistência, quando não levadas in loco para acesso a esse serviço.
A parceria foca no atendimento integrado, célere e humanizado a mulheres e meninas a partir de 14 anos em situação de violência doméstica, familiar ou sexual, combinada à vulnerabilidade do uso problemático de substâncias ou jogos.
Atendimento integrado e sem barreiras
A nova portaria cria uma “ponte direta” entre o sistema de segurança e a Rede Abraço. Na prática, o fluxo garante que as forças de segurança façam o encaminhamento ágil aos Centroves de Acolhimento e Atenção Integral sobre Drogas (CAAD) sempre que identificada a necessidade de suporte especializado. Da mesma forma, os CAADs direcionarão imediatamente às polícias as assistidas que, além da problemática de álcool e outras drogas, relatarem situações de violência.
Além disso, o protocolo apresenta uma interligação entre pontos focais da Rede Abraço e dos equipamentos da Sesp, de modo a promover ações conjuntas.
“Esta parceria é um avanço histórico no fortalecimento das políticas públicas no Estado. A estratégia Rede Abraço Mulher ao integrar a segurança pública e os Centros de Acolhimento da Rede Abraço, visa garantir um atendimento imediato, especializado e humanizado para mulheres em extrema vulnerabilidade. Unir proteção e um cuidado humanizado é um passo decisivo para romper o ciclo da violência e devolver a dignidade a essas mulheres”, destaca o coordenador da Rede Abraço, Carlos Lopes.
Entenda os principais objetivos do novo fluxo
Integração e Celeridade: fortalecer a rede de proteção e garantir encaminhamentos seguros e rápidos entre as forças policiais e os CAADs.
Acolhimento Humanizado: promover um atendimento qualificado que amplie o acesso aos serviços de cuidado psicossocial e proteção.
Comunicação Contínua: garantir o fluxo de informações entre as instituições para assegurar a proteção integral e sem interrupções.
Ruptura de Ciclos: contribuir para a superação de estigmas e vulnerabilidades, promovendo a autonomia e o desenvolvimento pessoal e social das assistidas.
Sobre a estratégia Rede Abraço Mulher
A estratégia está fundamentada em quatro eixos principais: prevenção, cuidado, proteção e autonomia. Entre os diferenciais operacionais, destaca-se o atendimento especializado realizado, preferencialmente, por profissionais mulheres, garantindo uma escuta qualificada e um ambiente seguro.
O programa oferece uma linha de cuidado ampliada que inclui:
- Cuidado Ambulatorial e Grupos Terapêuticos: atendimento individual com Plano de Cuidado Singular e espaços exclusivos para troca e fortalecimento de vínculos entre mulheres.
- Apoio às Famílias: atendimento específico para mães, esposas, filhas e irmãs afetadas direta ou indiretamente pelo uso de substâncias por terceiros.
- Proteção Intersetorial: integração direta com os Centros Margaridas e articulação com as redes de saúde (SUS), assistência social (SUAS) e o sistema de justiça, quando necessário.
- Promoção da Autonomia: cursos de qualificação profissional via Qualificar ES, apoio a projetos de vida e incentivo à autonomia econômica e emocional.

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