Atualizado em 28/01/2026 – 13:05
Este editorial não trata do que Paulo Hartung, uma das mais relevantes figuras da política capixaba, já realizou ao longo de sua trajetória pública, mas de seus movimentos e posicionamentos no atual cenário eleitoral.
Para começar, é preciso observar sua trajetória camaleônica entre diferentes espectros políticos. Iniciou na ala progressista, transitou pela social-democracia em determinado momento e, mais recentemente, passou a orbitar o campo conservador, cercado majoritariamente por figuras da ultradireita tupiniquim.
PH é um crítico severo da política fiscal adotada pelo governo federal, afirma torcer para que o atual presidente não se reeleja, não se posicionou no segundo turno presidencial de 2020 e tem feito acenos públicos a candidaturas alinhadas à ultradireita.
É legítimo haver visões divergentes e críticas às políticas públicas de qualquer governo. Até aqui, a divergência é parte natural do jogo democrático.
A questão, porém, é outra. Onde estão as manifestações de PH sobre políticos que sobem em trios elétricos insuflando a população contra instituições democráticas, difundem a narrativa de fraudes eleitorais, espalham fake news sobre temas sensíveis e atacam países e líderes de nações parceiras do Brasil? Vale a pena integrar esse campo por discordâncias pontuais na política fiscal? Afinal, sem democracia, não há sequer espaço para o debate sobre políticas públicas, inclusive a fiscal.
Há uma linha clara que separa o liberalismo democrático da ultradireita, ou de quem flerta com ela, e ela passa, necessariamente, pela recusa em caminhar ao lado de atores que atacam o regime democrático. Na Europa, esse princípio é conhecido como “cordão sanitário”. A recente eleição portuguesa ilustra bem esse movimento.
Não faltam exemplos no Brasil. Políticos de centro e de direita como Eduardo Paes, Helder Barbalho, Simone Tebet, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso optaram por não legitimar alianças com a ultradireita. Todos seguiram um caminho distinto do adotado por Hartung.
No Instagram do ex-governador, não há qualquer menção às indicações do filme “O Agente Secreto” ao Oscar, fato amplamente celebrado pela imprensa como um marco histórico para o cinema nacional. Como a ultradireita elege a cultura como inimiga, ainda mais quando se trata de uma obra sobre a ditadura militar, o silêncio agrada ao grupo, que inclui figuras que relativizam até mesmo a existência da própria ditadura no Brasil.
Diante desse cenário, a pergunta central permanece. Qual Paulo Hartung se apresentaria numa eventual candidatura em 2026? O liberal democrático, crítico e institucional, ou o político disposto a compor, ainda que tacitamente, com a ultradireita? A resposta a essa pergunta é fundamental para compreender o que ele efetivamente teria a oferecer ao eleitorado.
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