O nome do empreendimento aparece nas notícias porque um fundo gerido pela Apex tem uma fatia minoritária dele. Mas o shopping não integra o pedido de proteção judicial, a operação segue com a Nova Cidade Shopping Centers e o juiz preservou expressamente o patrimônio dos fundos.
Desde quinta-feira (6), quando a Apex Partners anunciou o afastamento de seu fundador e admitiu inconsistências financeiras, o nome do Shopping Vitória passou a circular junto com o do grupo em crise. A associação gerou perguntas entre lojistas, funcionários e frequentadores.
O VIXFeed leu a petição e a decisão judicial, consultou o registro das empresas e ouviu a administração do empreendimento. A resposta curta é que o Shopping Vitória não está na crise. A resposta longa exige explicar por que o nome dele aparece.
Por que o shopping aparece nas notícias
Em junho de 2023, a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, colocou à venda a participação que tinha no empreendimento. Parte dessa fatia foi comprada por um fundo imobiliário chamado Apex Malls, negociado na bolsa sob o código APXM11, estruturado pela Apex Partners.
Desde então, a propriedade do shopping é dividida entre três sócios: a Nova Cidade Shopping Centers, a Previ e esse fundo, que detém participação minoritária.
Ou seja, a Apex não é dona do shopping. Ela administra um fundo que é um dos sócios do empreendimento, e esse fundo é formado por dinheiro de investidores, não da gestora.
O que muda na prática
Nada na operação. Segundo a administração do Shopping Vitória, a gestão do empreendimento permanece com a Nova Cidade Shopping Centers, que responde pelas lojas, contratos, funcionários e funcionamento diário. O shopping afirma não ter qualquer ingerência sobre o fundo.
Em nota enviada à reportagem, a administração destacou que os fatos atuais não alteram sua operação, que segue comprometida com a qualidade oferecida a clientes, lojistas e parceiros ao longo de seus 33 anos de história.
O que dizem os documentos judiciais
Dois pontos da ação movida pelo grupo confirmam a separação.
O primeiro é a lista de empresas. O pedido de proteção judicial foi assinado por 172 sociedades, todas nomeadas com CNPJ na decisão do juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. Nem o Shopping Vitória nem a Nova Cidade Shopping Centers estão entre elas.
O segundo é uma ressalva expressa na decisão. Ao conceder a medida, o magistrado registrou que as suspensões determinadas não alcançam os patrimônios das classes de cotas de fundos de investimento e não interferem nas competências da Comissão de Valores Mobiliários e da ANBIMA.
Na prática, isso significa que o patrimônio do fundo não se confunde com o da gestora e não responde por dívidas dela. O imóvel não entra na conta dos R$ 985,6 milhões apurados preliminarmente pelo grupo.
O que ainda depende de resposta
A situação da Apex não é indiferente ao fundo. Um fundo imobiliário depende de quem toma suas decisões de gestão, negocia com os demais sócios do ativo e presta informações a quem investiu.
Nos últimos dias, o BTG Pactual, que é o administrador fiduciário do APXM11, anunciou o rompimento de sua parceria com a Apex Partners. O banco também comunicou o fechamento para resgates da classe de outro fundo ligado ao grupo, o BRM Carbyne Crédito Estruturado.
Cotistas do Apex Malls procuraram a redação do VIXFeed relatando dificuldade de obter informações sobre a situação do fundo. A reportagem questionou a gestora e o administrador sobre a continuidade da gestão e a comunicação com os investidores. Não houve resposta.
Quem tem cotas do fundo pode consultar os informes mensais e comunicados no site da CVM e no portal do administrador fiduciário, e registrar reclamações nos canais de atendimento do administrador e na própria CVM.
O que diz o Shopping Vitória
O Shopping Vitória informou que, desde junho de 2023, o Fundo de Investimento Imobiliário Apex Malls (APXM11), estruturado pela Apex Partners e administrado fiduciariamente pelo BTG Pactual, detém participação minoritária na propriedade do empreendimento. Segundo a nota, o fundo é constituído exclusivamente com recursos de investidores cotistas e não tem cotas adquiridas pela Apex Partners, responsável apenas pela gestão.
A entrada do fundo ocorreu após a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, colocar sua participação à venda. Com a transação, a propriedade passou a ser da Nova Cidade Shopping Centers, da Previ e do APXM11, permanecendo a operação e a gestão do empreendimento sob responsabilidade da Nova Cidade Shopping Centers.
A administração afirmou ainda que o Shopping Vitória não possui qualquer ingerência sobre o fundo e que questões relacionadas à sua estrutura e administração devem ser esclarecidas diretamente pela gestora e pelo administrador fiduciário. Reforçou que os fatos atuais não alteram sua operação, que segue comprometida com a qualidade oferecida a clientes, lojistas e parceiros ao longo de seus 33 anos de história.
Outro lado
O VIXFeed procurou a Apex Partners. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.
A reportagem questionou o Shopping Vitória sobre indicadores operacionais do empreendimento, como vacância, inadimplência e evolução das vendas, e sobre eventual relação societária ou comercial entre o empreendimento, seus sócios e a Apex além da condição de cotista. Esses pontos não foram abordados na resposta enviada.
O espaço permanece aberto a todos os citados. Os posicionamentos serão publicados na íntegra e incorporados ao texto.
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