Atualizado em 26/02/2026 – 15:55
Os apáticos que se perdoem, mas eu sou uma apaixonada. Eu sinto muito e sinto alto. Sou capaz de grandes raivas, de grandes amores, de grandes sacrifícios, enormes gargalhadas e choros monumentais. Eu sou uma emocionada.
Apesar do cardiologista ter declarado que não tem nada no meu coração, o povo sabe: eu gosto de ser apaixonada; eu me deslumbro com todo tipo de coisa.
Que mal tem, achar bonito o mundo? Querer ver beleza nas coisas? Eu gosto também de coração batendo, de brilhos nas pessoas, de respirar meio peito em suspiro.
Nessa hora minha amiga Marta se preocupa porque me iludo. Mas ora, como viver sem uma ilusãozinha? Não é porque inventei um pedaço da vida que não o estou vivendo. Inclusive, viver tira a ilusão sem dó nenhuma.
Marta, querida, confessar-me tão viva (inventando ou vendo) é que me faz tão gente! Apaixonada, sigo incômoda. Só não incomoda quem não vive. Se a gente fosse apático, era bem mais palatável, eu tenho certeza.
As empresas amam gente apática batendo ponto e fazendo o necessário sem causar grandes furores. As instituições (que não são pessoas) ficam satisfeitíssimas com a falta de paixão. Aperte um parafuso e siga. Aliás, se você fosse um robô era bom porque me dava mais lucro.
Lembra quando muito apaixonada eu declarei NÃO SOU ROBÔ e o fulano respondeu precisar de uma boneca inflável? Eu sobrevivi. Até quando o apático 1 disse que eu usava minha paixão pra me defender eu sobrevivi.
Naquela ocasião, não fiquei triste, fiquei quente e com muita raiva. Fiz um livro e toda vez que leio o texto xingando o apático, alguém quer comprar. Pra ele a plenitude era ficar a vida toda exatamente no mesmo lugar. Deus me free.
Sofri em voz alta, é claro. Sofro em voz alta e há quem diga que isso é se passar. Claro que o sofrimento passa, darling. Só tem um levanta sacode a poeira e dá a volta por cima porque antes teve um chorei não procurei esconder, todos viram. Pena de mim? Não precisava.
É preciso entender que sentir é diferente de cultivar, e que fingir que não sente é um jeito de a coisa crescer. Eu, como aquele tuíte da Rita Lee, sou do time que arrisca. E se der certo, ótimo. Se não der, foda-se.
As coisas não são exatas, a gente convive com muitos sentimentos ao mesmo tempo, e inclusive as relações mais profundas conjugam vários deles. As pessoas que a gente mais ama também são as que a gente mais odeia.
Não estou disposta a fingir que não sinto nada para agradar gente que não quer sentir ou não quer que eu sinta. Estou presente na vida. Sou uma emocionada. Sou uma apaixonada.
Sou meus excessos, caio atirando flechas de palavras. Não me basto calada. Não me aguento recalcada. Essa miudeza de negar-se ao sentimento: não tenho. Eu vi chover, eu vi relampear, mas mesmo assim o céu estava azul.

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