Atualizado em 08/01/2026 – 18:11
Gostei de te ver na rua logo antes da consulta com o cardiologista. Uma pena que o médico só olhe o coração literal, porque o metafórico eu sei que ficou aos pulos naqueles dois minutos em que o mundo parou porque você estava na minha rua.
Você atravessou, me deu um abraço. Te achei meio velho, é verdade. Mas talvez eu também esteja velha. Meu cabelo não é mais cor de rosa e eu tenho um bocado de piadas novas pra te contar.
Imagina se o meu coração literal aguenta tanto? Eu não sei. Eu lembro das nossas piadas e carinhos, da sua voz e da sua risada. Você parece um suricato e eu acho muito fofo. Aquele problema de velocidade que você tem eu acho que agora é mais fácil.
Tinha quantos anos que a gente não se via?
Eu soube que você comprou meu livro pela internet, acho que para não falar comigo. Também não perguntei. Gosto de ver você existindo, mas não dou conta dessa coisa de pouco compromisso e nem de ter que mandar em tudo.
Preciso que você me adivinhe um pouco se quiser voltar praminha vida. E o que você não adivinhar, que você me pergunte. Mas adivinhe, observe. Eu falo as coisas com meu corpinho pequeno e roliço. Você precisa ter iniciativa.
O cardiologista pediu para eu marcar um exame e tomar um remédio. Diz que vai ver que tamanho tem meu coração. Eu podia dizer pra ele te ligar, você sabe que tamanho tem meu coração.
O médico disse que vamos cuidar de mim, pro meu coração sofrer menos. Literal ou metafórico, doutor? Ele fez cara de pena, não cura metáfora.

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