Atualizado em 05/06/2026 – 17:21
A nova série Brasil 70: A Saga do Tri, da Netflix, reacende uma memória que o Espírito Santo ainda trata com menos força do que deveria. Ao revisitar a campanha da Seleção Brasileira rumo ao tricampeonato mundial no México, em 1970, a produção devolve ao debate um elenco que virou mito nacional. Entre Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivellino, Carlos Alberto e tantos nomes gigantes, havia também um capixaba de Santa Teresa: José de Anchieta Fontana.
Fontana nasceu em 31 de dezembro de 1940 e fez parte do grupo campeão da Copa do Mundo de 1970. Mais que isso, foi o primeiro capixaba a participar de um Mundial e segue como o único nascido no Espírito Santo a conquistar uma Copa pela Seleção Brasileira. O dado impressiona porque atravessa décadas e segue intacto.
Sua história começa no futebol local. Revelado pelo Vitória, passou pelo Rio Branco, onde foi campeão capixaba em 1959 e 1962. Depois ganhou projeção nacional no Vasco, formou dupla de zaga com Brito e chegou ao Cruzeiro, clube pelo qual foi convocado para a Copa de 1970. Naquele Mundial, jogou uma partida inteira como titular, na vitória do Brasil sobre a Romênia por 3 a 2.
A presença de Fontana naquele elenco diz muito sobre o tamanho que o futebol capixaba já conseguiu alcançar. Ele saiu de Santa Teresa, passou por clubes do Espírito Santo e chegou ao ponto mais alto do esporte. Não foi uma nota lateral da história. Foi parte de uma seleção que até hoje serve de referência mundial.
O problema é que o Espírito Santo nem sempre sabe transformar seus símbolos em memória viva. Fontana dá nome a uma rua em Santa Leopoldina desde 1980, cidade onde também está sepultado. A homenagem tem valor afetivo, mas ainda parece pequena diante do que ele representa. Um campeão mundial capixaba deveria estar mais presente em escolas, projetos de base, estádios, torneios, documentários e campanhas de valorização do esporte local.
A série da Netflix chega em boa hora porque recoloca a Seleção de 70 no centro da conversa. Para o Brasil, é uma lembrança de grandeza. Para o Espírito Santo, deveria ser também um chamado de atenção. Fontana estava lá. O capixaba estava no tri. E talvez o Estado ainda não tenha entendido completamente o peso dessa frase.
Fontana morreu cedo, aos 39 anos, vítima de um infarto. Sua trajetória foi interrompida antes que ele pudesse ocupar com mais presença o lugar público que merecia. Ainda assim, sua história permaneceu. O que falta é o Espírito Santo tratá-la menos como curiosidade de Copa e mais como patrimônio.
Enquanto Brasil 70: A Saga do Tri reconstrói na tela a seleção que encantou o mundo, vale olhar para aquele elenco com atenção capixaba. No meio da geração mais celebrada do nosso futebol, havia um zagueiro nascido em Santa Teresa. E essa presença ainda merece ocupar mais espaço na nossa memória.

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