A crise envolvendo a Apex Partners passou a ocupar o noticiário capixaba após a informação sobre o afastamento de seu presidente, Fernando Cinelli, em razão de “inconsistências financeiras” identificadas em uma apuração interna conduzida pelos demais sócios. O episódio abriu uma série de dúvidas que ainda não têm dimensão exata e que alcançam diferentes camadas da sociedade capixaba.
O VIXFeed tem buscado informações sobre os desdobramentos do caso. Entre as questões ainda sem resposta estão as empresas com participação societária da Apex ou relações comerciais com a gestora, como a Rhino, entre outras, e os possíveis impactos sobre clientes, investidores e parceiros. Para onde foi o dinheiro? Quem são os principais envolvidos na crise, entre sócios, diretores e executivos? E quais são as conexões dessas pessoas com o mundo empresarial e político do Espírito Santo?
Nos últimos anos, a Apex construiu uma presença pública marcada por eventos luxuosos em Vitória, Brasília, São Paulo e, mais recentemente, também em Nova York e Lisboa. A empresa parecia empenhada em ampliar espaço, prestígio e influência. Nesses encontros, agentes públicos eram presença constante, muitas vezes em posição de destaque.
Aqui cabe uma cobrança direta. Todos os agentes públicos que participaram desses eventos em papel de destaque, ou que mantêm qualquer tipo de relação direta ou indireta com a crise da gestora, devem explicações públicas. Até agora, o silêncio tem sido a regra.
Além dos eventos, a Apex mantinha uma estratégia de exposição quase onipresente. A marca aparecia em doações a instituições filantrópicas, sempre acompanhadas de divulgação, corridas, quadras esportivas, estacionamentos em shopping e outras iniciativas voltadas a reforçar a imagem de sucesso absoluto da gestora e de seus sócios. Diante da crise atual, essa construção pública também precisa ser examinada.
A condução do caso, até aqui, é insuficiente. O atual presidente, Marcelo Murad, eleito após o afastamento de Fernando Cinelli, precisa ser cobrado pela forma como a empresa tem lidado com investidores, clientes e com a sociedade. Há pessoas que dependem de dividendos mensais para pagar despesas, outras que relatam dificuldade para resgatar recursos, além de investimentos que perderam valor em meio à crise. São situações que exigem atenção, transparência e respostas concretas por parte da Apex.
O caso se espalha em várias direções e ganha ainda mais peso por ocorrer em pleno período eleitoral. Já há afastamento de presidente pelos próprios pares, informação de inconsistência financeira, pedido judicial anterior a uma possível recuperação judicial, condução frágil da crise e uma sequência de ausências de respostas, ações e posicionamentos.
O governo do Espírito Santo também erra ao não se manifestar de forma rápida, firme e esclarecedora. A nota da Secretaria da Fazenda, além de protocolar, não responde às principais dúvidas que o caso levanta. Em uma crise com possíveis impactos econômicos, empresariais, sociais e políticos, o poder público não pode parecer apenas espectador.
O VIXFeed se sente à vontade para acompanhar e cobrar respostas sobre esse caso por não ter vinculação direta ou indireta com os grandes grupos empresariais do estado. Isso permite ao portal tratar o tema com independência, linguagem própria e olhar analítico.
Agradecemos a confiança que temos recebido diariamente de pessoas com investimentos relacionados à Apex, que nos procuram por não encontrarem respostas satisfatórias da empresa. São pessoas que vivem um momento de fragilidade emocional e financeira e que merecem mais do que silêncio, notas vagas e administração de danos à imagem. Merecem explicações.

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