Atualizado em 14/07/2026 – 16:40
A artista visual capixaba Fayra Moreira estreia sua primeira exposição individual com “A Linguagem do Transe”, em cartaz entre os dias 25 de julho e 27 de setembro na Galeria Homero Massena, no Centro de Vitória. Partindo da ideia que a intimidade pode ser um gesto político, a mostra reúne obras inéditas que exploram temas como amor, memória e liberdade por meio da pintura abstrata.
O evento de abertura acontece no dia 25 de julho (sábado), das 10h às 13h, e contará com uma visita guiada com a artista e a curadora da exposição Lorraine Mendes. A entrada é gratuita.
A exposição convida cada visitante a acessar suas próprias experiências afetivas. As pinturas abstratas inéditas, produzidas por Fayra ao longo de anos de pesquisa, não oferecem respostas ou narrativas fechadas; criam um espaço para que cada pessoa projete suas lembranças, desejos e ausências. “A arte, como gosto de pensar, cumpre o papel de acessar o íntimo”, afirma a artista, formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e mestranda em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ.
O título da mostra foi inspirado em uma reflexão presente no documentário Orí (1989), em que a historiadora Beatriz Nascimento afirma que “a linguagem do transe é a memória”. A partir dessa ideia, Fayra desenvolveu uma pesquisa sobre como recordar o amor também pode ser uma forma de permanência.
As obras abordam o afeto nas dimensões romântica, familiar, coletiva e voltada para si mesma, contrariando imaginários que historicamente negaram às mulheres negras e travestis, como a artista, o direito de serem reconhecidas por suas experiências de amor.
“A arte sempre ocupou um lugar hegemônico na história, impossibilitando narrativas similares a minha de ecoarem. Acredito que o grande mote desta exposição, quando falamos de contribuição para produção artística brasileira, é a conquista de autonomia para uma artista negra e trans, falar de questões que a sociedade desassocia de mulheres como eu. Falar de amor e não de transfobia em meus trabalhos é a resposta de que estou viva, de que sinto e continuarei produzindo a partir disso”, afirma Fayra.
Entre os destaques da exposição estão “Mãe”, pintura de grandes dimensões construída a partir das memórias afetivas da relação da artista com a mãe, e a série “Ele vem me visitar nos meus sonhos de vez em quando”, composta por dez pinturas organizadas segundo o ritmo cardíaco de um coração apaixonado. A exposição “A Linguagem do Transe” recebe ainda um catálogo, que será lançado no dia 22 de agosto.
Sobre a artista
Artista visual formada na Universidade Federal do Espírito Santo e mestranda no Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da EBA/UFRJ, Fayra vive e trabalha entre os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Se interessa pelas nuances entre o mistério, a intimidade e o segredo. Seus trabalhos questionam as possibilidades no amor para uma artista negra e travesti.
Através da prática da pintura abstrata, investiga como textura, cor e densidade realizam a interseção entre paz, liberdade e amor, distanciando-se de estereótipos hegemônicos e figurativos. Compõe o coletivo NACIONAL TROVOA e integra o acervo permanente do Museu de Arte do Espírito Santo. A Linguagem do Transe é sua primeira exposição individual.
Serviço
Exposição “A Linguagem do Transe”, de Fayra Moreira
Local: Galeria Homero Massena (Centro de Vitória – R. Pedro Palácios, 99 – Cidade Alta)
Curadoria: Lorraine Mendes
Período: 25 de julho a 27 de setembro de 2026
Visita mediada com a curadora: 25 de julho, das 10h às 13h
Entrada gratuita

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