Atualizado em 23/01/2026 – 15:55
O ano de 2026 chegou e, com ele, o calendário eleitoral está posto. Os prazos correm para quem deseja disputar as cadeiras em jogo neste novo ciclo político.
Nesse contexto, ouve-se muito sobre a formação de chapas e coligações e, mais uma vez, repete-se um fenômeno que se tornou rotineiro na política capixaba: o isolamento dos caciques do Partido dos Trabalhadores no Espírito Santo.
Esse isolamento não é recente. Basta tentar lembrar qual foi a última eleição em que o PT capixaba esteve inserido em um arco significativo de alianças, seja liderando uma candidatura com apoio de diversos partidos, seja compondo formalmente uma frente mais ampla.
A comparação com outros estados evidencia ainda mais o problema. No Rio de Janeiro, por exemplo, o PT integrou uma frente robusta que elegeu, entre outros, os prefeitos de Niterói, do Rio e de Maricá, e já participa de articulações avançadas para a disputa do governo estadual. No Nordeste, especialmente na Bahia e em Pernambuco, partidos como PSD e MDB frequentemente caminham ao lado do PT em arranjos políticos sólidos e eleitoralmente vitoriosos.
No Espírito Santo, porém, os caciques petistas demonstram dificuldade de diálogo até mesmo com siglas que historicamente orbitam o campo progressista, como PSB e PDT.
As eleições para a Prefeitura de Vitória em 2020 e 2024 são exemplos emblemáticos. Quantos partidos compuseram as coligações petistas nesses dois pleitos? A resposta, por si só, revela talvez um dos maiores erros estratégicos recentes do partido no estado, a aposta em candidaturas isoladas, com baixo poder de agregação política.
Construir alianças amplas não é apenas uma questão matemática de tempo de televisão ou de recursos de campanha. É, sobretudo, um sinal de maturidade política. A capacidade e a disposição de dialogar com diferentes forças revelam habilidade de buscar consensos, leitura atualizada da sociedade, tolerância e inteligência estratégica. Também ampliam o alcance da mensagem para eleitores menos identificados com a legenda e ajudam a reduzir a rejeição, o conhecido antipetismo.
Em alguns estados e cidades, o PT ensaia, ainda que timidamente, processos de renovação, com ações de filiação e aproximação de quadros com perfis distintos do padrão histórico do partido. No Espírito Santo, basta observar os nomes eleitos para perceber que esse movimento praticamente não existe. Predomina uma lógica de repetição, como se houvesse resistência a incorporar novas agendas, linguagens e atores que já emergem no campo progressista em outras regiões do país.
A sociedade mudou e segue mudando em ritmo acelerado. Enquanto isso, os caciques do PT capixaba parecem presos a disputas internas de tendências, mais preocupados em preservar espaços de poder do que em ampliar o diálogo com a realidade externa. O resultado é previsível: enfraquecimento político, derrotas sucessivas e perda de relevância no debate público.
Lula e lideranças petistas de outros estados demonstram, na prática, que é possível combinar identidade ideológica com capacidade de articulação. Resta saber se os caciques do PT no Espírito Santo têm interesse e, sobretudo, disposição política para sair do isolamento que eles próprios ajudaram a construir.

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