Atualizado em 08/07/2026 – 08:22
A escritora, historiadora e atriz Suely Bispo foi a convidada do último episódio da primeira temporada do podcast Elas EScrevem. No bate-papo, a autora aborda a literatura como direito humano, reflete sobre a produção literária feminina e compartilha sua trajetória nas artes. O episódio já está disponível no canal Feijão com Maionese, no Youtube.
O episódio encerra um ciclo de 7 meses, em que o podcast apresentado pelas escritoras Kátia Fialho e Carla Guerson entrevistou 12 autoras do Espírito Santo sobre temas diversos do universo da literatura. “É uma honra fazer parte desse time de mulheres. O projeto traz visibilidade para a nossa escrita. As curadoras tiveram o cuidado de trazer uma pluralidade de vozes. Isso é importante, pois as mulheres foram silenciadas muitas vezes”, destacou a convidada, Suely Bispo.
Co-apresentadora do Elas EScrevem, Kátia Fialho explicou que o protejo tem a pretensão de continuar, com um novo ciclo de escritoras capixabas e celebrou a participação de Suely no encerramento da temporada.
“Suely, além de multiartista, é uma das mais celebradas autoras do nosso estado. Seu talento, sua generosidade, sua trajetória e, sobretudo, a pujança de sua existência nos conclamam a reverenciar a produção literária feminina neste episódio tão simbólico. Encerrar este ciclo do Elas EScrevem falando sobre literatura e direitos humanos e tendo essa mulher maravilhosa em nossa bancada, que é tão querida e uma referência para todas nós, é uma honra, um orgulho e um privilégio”, afirmou.
Autora de quatro livros, Suely Bispo tem uma trajetória marcada pela valorização da memória e da cultura negra. Sua obra “Resistência Negra na Grande Vitória: dos quilombos ao Movimento Negro”, lançada originalmente em 2006 e relançada em 2025 em edição ampliada, apresenta um panorama da resistência negra desde o período escravagista, perpassando momentos marcantes do movimento no Brasil e no Espírito Santo, em especial na Grande Vitória.
No livro, a capixaba aponta uma lacuna histórica no que diz respeito a qual foi exatamente o primeiro movimento negro no Espírito Santo no século XX, recorte temporal do qual seu livro se ocupa prioritariamente. Na primeira versão, publicada em 2006, destacam-se, por exemplo, Movimento Negro Unificado (MNU), Instituto Elimu Professor Cleber Maciel, Movimento Negro de Mulheres, Pastoral do Negro e manifestações artísticas com foco na cultura negra, como o grupo de dança Negra Ô.
Na edição revisada e ampliada, a autora mantém o texto original, mas traz informações mais recentes, inclusive, com um destaque maior para a arte, como a literatura e o cinema negros, que, salienta “estão mais em evidência”. Suely traz ainda conquistas da comunidade negra que foram concretizadas depois do lançamento da primeira edição, como as cotas raciais nas universidades e em concursos públicos.
Além da produção acadêmica, a escritora publicou os livros de poesia “Desnudalmas” (2009) e “Lágrima Fora do Lugar” (2016). Ainda este ano, ela prepara o lançamento de “Híbrida”, obra que reúne poemas, contos e crônicas iniciados durante a pandemia de Covid-19.
Dele, a autora destaca o texto “Crônica de uma Ausência”, que fala sobre a menopausa, tema que, conforme afirma, tem entrado muito em voga, deixando, aos poucos, de ser um tabu.
A trajetória artística de Suely também inclui mais de três décadas dedicadas ao teatro e participações em mais de 20 produções audiovisuais, incluindo na novela da Globo Velho Chico, em 2016, na qual interpretou Doninha. Em 2024, foi a homenageada capixaba da 31ª Festival de Cinema de Vitória por sua contribuição ao audiovisual.
Serviço:
Elas EScrevem, com Suely Bispo: Confira o episódio.

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