Atualizado em 30/06/2026 – 04:34
A mobilidade urbana está entre os principais temas discutidos nas grandes cidades do mundo. No Brasil, a pauta também ganha cada vez mais relevância, especialmente nas regiões metropolitanas, onde o deslocamento diário impacta diretamente a qualidade de vida, a economia, a saúde e o tempo das pessoas.
Em Vitória, porém, ainda é difícil identificar qual é a linha adotada pela gestão municipal. A cidade prioriza o transporte individual ou o coletivo? Defende uma mobilidade mais integrada, sustentável e metropolitana? Existe um projeto claro para enfrentar os gargalos históricos da capital? Até aqui, a resposta parece pouco evidente.
A pergunta central é simples: quais obras estruturantes e de grande impacto foram realizadas pelas gestões municipais recentes para enfrentar o problema da mobilidade?
A ampliação da avenida Leitão da Silva, as intervenções na Terceira Ponte com ciclovias, o Aquaviário, o Portal do Príncipe e outras entregas relevantes são obras do governo do Estado. Nos últimos anos, a gestão estadual tratou a mobilidade como uma área prioritária e executou intervenções importantes. É legítimo imaginar como estaria a capital sem essas ações.
O contraste expõe a imobilidade de Vitória justamente quando o assunto é mobilidade. O chamado “mergulhão” em Camburi, por exemplo, nasce cercado de questionamentos. Trata-se de uma obra elevada de frente para o mar, com custo alto, conceito discutível e efetividade ainda incerta. Ao mesmo tempo, a administração municipal demonstra dificuldade até para lidar com soluções mais simples e complementares, como as bikes elétricas, que poderiam cumprir papel importante nos deslocamentos urbanos de curta distância.
As dúvidas se acumulam. Há diálogo consistente com o governo do Estado e com os demais municípios da Grande Vitória para construir soluções integradas? Haverá BRT na capital? Quais são os projetos para enfrentar os gargalos da rodovia Serafim Derenzi, da Reta da Penha e do Centro de Vitória? Como a Prefeitura pretende reorganizar o espaço urbano para melhorar a circulação de ônibus, bicicletas, pedestres e veículos?
Vitória precisa dizer com clareza o que pensa e o que pretende fazer sobre mobilidade. Cidades que não enfrentam esse tema pagam um preço alto. Perdem qualidade de vida, produtividade, saúde mental, oportunidades de lazer e tempo de convivência familiar. A economia também sente os efeitos de uma cidade que se desloca mal.
Mobilidade não é apenas uma questão de trânsito. É uma escolha sobre o tipo de cidade que se deseja construir. E, nesse ponto, Vitória ainda precisa sair do lugar.

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