Atualizado em 21/05/2026 – 16:30
Cara e gentil leitora, como se sabe, além de escrever, eu leio. Mas ultimamente tenho estado consternada com a percepção de uma ausência grave em livros gringos, especialmente os mais antigos: a da higiene básica.
Por favor me corrijam nos comentários se eu estiver errada, mas vocês lembram de alguém escovando dente ou tomando banho em livro antigo gringo? Não sei sobre o hábito de escovar dente de todos os povos e épocas, mas pelo menos lavar a boca?
Fazer o toilette? As personagens falam em anáguas, falamem trocar de roupa para o jantar, falam que estava quente, falam que é verão, falam da barra suja da calça, falam até que se lavar a musselina o vestido rasga.
Se falam em lavar, significa que tem água. Mas cadê o banho? Livro brasileiro tem banho, tem gente escovando o dente, tem pensamentos que surgem durante o banho, tem comentários sobre os hábitos bucais dos personagens.
Converso com um amigo. Pergunto se ele se lembra, e ele levanta a questão do cocô. Segundo ele, ninguém faz cocô, também, nos livros. Discordo dele: me lembro de livros específicos sobre cocô, também brasileiros.
Lembro-me do cocô inclusive usado como vingança. O laxante quase como um fetiche da vingança. E é lindo de ler. Aliás, o intestino funcionando é uma coisa muito bonita. Eu mesma louvo bastante o funcionamento do meu.
Quanto ao banho e aos dentes, me preocupo. Em certo ponto da história, não sei quanto tempo vai durar a arcada dentária da protagonista, uma moça tão bonita e sofrida. Também não consigo imaginá-la passando fio dental.
Há quem diga que antigamente muito se arrancavam dentes por falta de tratamento. Havia inclusive o risco de doer um e arrancarem outro. Isso também é Brasil, essa terra em que mostramos tanto os dentes.
Não tenho conclusão nenhuma, e imagino que as grandes protagonistas épicas gringas terminem banguelas e felizes ao lado dos grandes protagonistas épicos banguelos e felizes.
Assim sendo, ganhamos mais uma justificativa para nunca nada acontecer nas histórias românticas depois de umcasamento cheio de anáguas e acordos.
Imagina que graça teria o romance se ao fim dissessem:casaram-se, entediaram-se, ficaram banguelas e morreram com algumas micoses, algum mofo e uma boa dose de fedor!

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