Atualizado em 30/04/2026 – 16:10
Um projeto de pesquisa realizada realizado durante cinco anos (2019 a 2024) no Parque Nacional do Caparaó trouxe uma importante notícia para a biodiversidade da Mata Atlântica: a descoberta de uma nova espécie de anfíbio. É a Ischnocnema rubridactyla, uma rã com dedos de tonalidade avermelhada.
O descobrimento foi feito em meados de 2020 e começou a ser descrito pelos pesquisadores Thiago Silva Soares, Natalia Soares Campos e Erlan Pirovani Silva, do Instituto Últimos Refúgios; Leonora Pires Costa, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); e Marina Monjardim, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). O artigo científico que detalha as características físicas da Ischnocnema rubridactyla, no entanto, foi publicado somente neste ano na revista científica internacional Zootaxa. Os pesquisadores nomearam a espécie encontrada como “rãzinha-dos-dedos-vermelhos-do-Caparaó”.
“A descoberta começou de um jeito muito simples. Estávamos tomando café da tarde no alojamento e começou a cair uma chuvinha. Foi quando eu ouvi um canto que nunca tinha ouvido antes, mas que parecia ser de uma rãzinha-da-mata (Ischnocnema). Esse é exatamente o grupo que eu estudei na minha tese de Doutorado, então, eu o conheço muito bem. Comentei com a equipe e começamos uma busca obstinada marcada por uma mistura de ansiedade e empolgação. Quando achamos o primeiro exemplar, virou uma festa! É uma sensação difícil de explicar”, conta Thiago, emocionado.
Segundo o pesquisador, a descoberta de uma nova espécie reforça que ainda há muito o que se descobrir sobre a Mata Atlântica, validando a importância da conservação de ambientes como o Parque Nacional do Caparaó.
“A biodiversidade é o que sustenta o funcionamento dos ecossistemas. Cada espécie tem um papel, seja no controle de populações, na ciclagem de nutrientes ou na manutenção da cadeia alimentar. Quando essa variedade é afetada, o equilíbrio desses sistemas é comprometido. Além de ser um dos biomas mais ricos em espécies, a Mata Atlântica também tem um altíssimo nível de endemismo, ou seja, muitas espécies só existem ali. Se aquele ambiente desaparece, elas desaparecem junto”, explica.
O descobrimento e a descrição da rãzinha-dos-dedos-vermelhos-do-Caparaó (Ischnocnema rubridactyla) também é relevante para a manutenção e preservação da área de preservação ambiental.
“O Parque Nacional do Caparaó ainda tem muito a revelar. Quando uma nova espécie é registrada, há uma comprovação de que aquele ambiente abriga uma biodiversidade única. Isso é fundamental para a gestão do parque, porque reforça a necessidade de proteção, pode influenciar políticas públicas e até justificar investimentos em conservação e pesquisa”, ressalta Thiago.

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