Atualizado em 10/03/2026 – 15:14
Um levantamento baseado na Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios do Censo 2022, do IBGE, revela um cenário preocupante para a capital capixaba. De acordo com análise elaborada pela geógrafa Amanda Silva Almeida, pesquisadora técnica da FAPESP e doutoranda em Geografia, Vitória é a capital do Sudeste com a maior proporção de moradores vivendo em ruas sem árvores.
O estudo analisa a arborização urbana no nível da rua, considerando o ambiente imediato ao redor dos domicílios. A classificação utilizada divide as vias em quatro categorias: sem árvores, com poucas árvores (1 a 2), com arborização média (3 a 4) e com alta arborização (5 ou mais).
Segundo os dados do Censo 2022, 43,69% dos moradores de Vitória vivem em ruas sem nenhuma árvore. Outros 13,34% vivem em vias com apenas uma ou duas árvores, enquanto 19,94% residem em locais com três ou quatro árvores. Apenas 33% da população vive em ruas consideradas muito arborizadas, com cinco ou mais árvores.
Comparação com outras capitais do Sudeste
Na comparação regional, Vitória aparece na posição mais crítica.
Belo Horizonte apresenta a situação mais favorável entre as capitais analisadas. Na cidade mineira, 42,91% dos moradores vivem em ruas muito arborizadas, e apenas 24,69% estão em ruas sem árvores.
São Paulo e Rio de Janeiro aparecem em situação intermediária. Em São Paulo, 33,53% dos moradores vivem em ruas sem árvores, enquanto no Rio o percentual é 35,13%. Ambas as capitais também apresentam áreas com alta arborização, mas convivem com um número significativo de moradores expostos à ausência de cobertura vegetal nas ruas.
Arborização como indicador de bem-estar urbano
A presença de árvores próximas às residências é considerada internacionalmente um indicador de qualidade urbana e bem-estar.
A UN-Habitat, programa das Nações Unidas para cidades e assentamentos humanos, classifica a arborização urbana como parte da infraestrutura essencial das cidades. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece áreas verdes como determinantes sociais da saúde, associando sua presença à redução do estresse, diminuição de doenças cardiovasculares e mitigação dos efeitos das ondas de calor.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) também destaca as árvores urbanas como uma estratégia importante de adaptação climática. Elas ajudam a reduzir o efeito de ilhas de calor, melhoram a qualidade do ar e aumentam a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas.
Desigualdade ambiental nas cidades
O mapa elaborado por Amanda Almeida não mostra a presença de vegetação natural ou áreas de floresta. O foco está no ambiente urbano imediato das ruas, onde as pessoas vivem e circulam diariamente.
Os dados indicam que a arborização urbana também reflete desigualdades nas condições de vida nas cidades. A presença ou ausência de árvores no espaço urbano interfere diretamente no conforto térmico, na qualidade ambiental e na saúde da população.
Nesse contexto, os números de Vitória evidenciam um desafio relevante para o planejamento urbano. A arborização das ruas não é apenas uma questão paisagística, mas um elemento ligado à saúde pública, adaptação climática e qualidade de vida nas cidades.

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