Atualizado em 06/04/2026 – 08:09
O podcast Elas EScrevem lança um novo episódio nesta segunda-feira (6), às 20h, no YouTube, com a participação da pesquisadora e gestora cultural Isabella Baltazar. O tema da conversa será literatura e diversidade, com foco em obras inclusivas voltadas para Pessoas com Deficiência (PCDs).
O programa é exibido no canal Feijão com Maionese e integra um projeto realizado com recursos da Lei Aldir Blanc de Cariacica. A apresentação é das escritoras Kátia Fialho e Carla Guerson, que conduzem uma série de episódios dedicados à produção literária feminina e seus desafios.
Durante a conversa, Isabella aborda a importância da literatura como ferramenta de reconhecimento e inclusão, além de discutir as limitações das políticas públicas voltadas ao acesso ao livro no Brasil.
Formada em Jornalismo, com mestrado e doutorado em Letras, Isabella Baltazar construiu sua trajetória a partir de uma relação afetiva com a literatura desde a infância. “Começa com minha avó paterna e suas contações de causos. Por ser criada por ela, tive a chance preciosa de ouvir diariamente suas memórias com pitadas de invenção – e tinha ainda a rotina de assistir às novelas, uma narrativa pela qual até hoje sou apaixonada”, diz.
Além de escritora e crítica literária, ela é idealizadora do projeto Letra Preta e criadora da Festa Literária Internacional Capixaba (Flinc), que teve sua primeira edição em 2025 e reuniu milhares de pessoas, com lançamentos, editoras e convidados de diferentes regiões.
Debate sobre acesso e políticas públicas
No episódio, Isabella defende que a literatura para pessoas com deficiência vai além do acesso, sendo também uma forma de reconhecimento. Ela também destaca a necessidade de ampliar o debate para incluir esses públicos como autores.
“O PNLL [Plano Nacional de Livro e Literatura] atual, por exemplo, foi elaborado sem dados sobre o público que se propõe a incluir. A pesquisa Retratos da Leitura nunca investigou o comportamento de leitores PcDs. O ISBN, tão importante, não distingue formatos acessíveis. Sem esses tipos de mapeamento, o que temos é intenção, não política. Avançamos em legislação, mas ainda não temos as ferramentas para mensurar onde estamos falhando e/ou acertando”, diz.
Espaço para escritoras
Sobre o podcast, Isabella destaca a importância de iniciativas que valorizam a produção feminina. “um deleite principalmente porque encara a sub-representação das mulheres escritoras – que continuam sendo tratadas como exceção dentro dos movimentos que elas mesmas ajudaram a construir – e as exalta”.
“Para mim, é uma escolha acertada fazer um recorte de gênero porque sem esse esforço de mediação, seguiríamos confinadas aos pares. Entendo que a criação de redes entre escritoras tem impacto direto na produção e no reconhecimento do trabalho literário, e a divulgação qualificada é, ainda hoje, a forma mais eficaz de sobrevivência de uma literatura fora do eixo consolidado no Brasil”, avalia.
Próximos episódios
A série também vai abordar temas como os desafios da escrita como meio de sobrevivência, literatura e artes visuais, mercado editorial e literatura como direito humano, com participações de outras autoras convidadas.
Kátia Fialho, idealizadora do projeto, atua como apresentadora e roteirista, ao lado de Carla Guerson, que também assina a condução do podcast. Sobre a convidada, Kátia afirma que Isabella é uma “agitadora cultural”.
“Uma prova disso foi a organização da Flinc, que trouxe ao Espírito Santo uma variedade de autores e autoras convidados, rica em diversidade, pluralidade e sintonia entre os clássicos e o que há de mais novo em destaque na literatura local, nacional e internacional. Essa feira prestou um relevante e inestimável serviço à categoria literária, promovendo a fruição do livro como ferramenta de cidadania, acesso à cultura e respeito às diferenças”, diz.

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