Atualizado em 05/02/2026 – 16:41
O abaixo-assinado que pede a mudança do nome da Avenida Dante Michelini, na orla de Camburi, em Vitória, para Avenida Araceli Cabrera Crespo, e que já reúne mais de 15 mil assinaturas, voltou a ganhar repercussão nesta semana.
A petição foi criada em 2023 por Vitor Magnoni, no contexto dos 50 anos do assassinato de Araceli, crime ocorrido em 1973 e que se tornou um dos casos mais emblemáticos de violência contra crianças e de impunidade no Espírito Santo e no Brasil.
A Avenida Dante Michelini homenageia Dante de Brito Michelini, empresário e patriarca da família. Já o principal acusado no caso Araceli foi seu filho, Dante de Barros Michelini, conhecido como Dantinho, que esteve entre os denunciados pelo assassinato da menina ao lado de Paulo Constanteen Helal. O processo terminou com a absolvição dos réus pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo, sob alegação de falta de provas.
A retomada do debate ocorre após a morte de Dante de Barros Michelini (Dantinho), encontrada em Guarapari nesta quarta-feira (4), fato que trouxe novamente o caso Araceli ao centro da discussão pública no Espírito Santo.
Para o organizador do abaixo-assinado, a discussão não se limita ao desfecho judicial, mas ao significado simbólico das homenagens públicas. Segundo a petição, embora a avenida leve o nome do pai, o sobrenome Michelini ficou historicamente associado ao caso Araceli, tornando a homenagem pública um ponto permanente de contestação social.
O texto do abaixo-assinado destaca que “não se trata apenas de uma referência ao patriarca da família, mas da reprodução do mesmo nome e sobrenome dos denunciados no caso”, argumento já defendido por entidades de direitos humanos e por colunas históricas da imprensa capixaba.
O assassinato de Araceli motivou, em 2000, a criação do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio, data que marca a morte da menina. Cinquenta anos depois, organizações denunciaram o Estado brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, cobrando reparação histórica por omissões e falhas nas investigações.
Ao longo das últimas décadas, outras tentativas de mudança do nome da avenida foram realizadas, incluindo consultas populares informais e propostas de plebiscito, sem avanço concreto no âmbito do poder público municipal.
Com mais de 15 mil assinaturas, o idealizador da petição afirma que o objetivo é reforçar a pressão sobre a Câmara Municipal de Vitória e a Prefeitura para que o tema volte oficialmente à pauta legislativa, defendendo que a cidade escolha homenagear suas vítimas, e não símbolos associados à impunidade.
Para assinar o abaixo-assinado, basta acessar o site avenidaaraceli.org, onde a petição segue disponível ao público.

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