No domingo, vamos eleger o próximo presidente do país. Nossa escolha será entre visões, propósitos e objetivos antagônicos para o Brasil e para as nossas vidas.

Do lado da ultradireita, Flávio Bolsonaro afirma que fará um "tesouraço", cortando 250 bilhões de reais do orçamento do país de uma só vez, no primeiro ano de um eventual governo. Isso quer dizer que, de todo o dinheiro que o Brasil tem para usar no próximo ano, Flávio quer cortar 250 bilhões de reais.

Publicamente, ele afirma que fará os cortes, mas não diz de onde vai tirar o dinheiro. Diante desse cenário, resolvemos fazer as contas para identificar, objetivamente, como Flávio poderia cumprir essa promessa. No orçamento de 2027, um corte desse tamanho só pode sair de cinco áreas: o Bolsa Família, os gastos discricionários (que incluem os investimentos), a Previdência, a saúde e a educação.

O Bolsa Família, que atende 19 milhões de famílias brasileiras, terá orçamento total de 158 bilhões de reais no próximo ano. Então, se Flávio Bolsonaro quiser tirar os 250 bilhões daí, terá que acabar com o programa e ainda buscar mais 92 bilhões de reais em outra área.

Nos gastos discricionários, ou seja, todo o dinheiro que o governo pode usar livremente no próximo ano para manter a máquina pública funcionando e fazer investimentos, há 245 bilhões de reais. Desse valor, 60 bilhões são de emendas parlamentares; sem elas, sobram 185 bilhões. Se cortar aqui, ele simplesmente desliga a chave do país e para tudo, além de romper com todo o Congresso por causa das emendas que precisaria barrar, às quais sempre foi favorável como senador.

Na Previdência, é possível realizar os cortes que ele deseja, desde que congele as aposentadorias e retire o ganho real do salário mínimo e do BPC, por exemplo. No orçamento da saúde, de 272 bilhões de reais, Flávio precisaria paralisar o SUS, inclusive o programa Farmácia Popular, para fazer o seu tesouraço. Já no orçamento da educação, que é de 144 bilhões de reais, seria necessário suspender a educação pública do país.

Objetivamente, o próprio Flávio Bolsonaro afirma que cortará os 250 bilhões. Como cortar nos gastos discricionários pararia o país, esse dinheiro só pode sair da saúde, da Previdência, da educação e do Bolsa Família, porque simplesmente não há outro lugar de onde tirá-lo. Por isso, para os brasileiros (de esquerda, de direita ou de qualquer outra posição política) que utilizam o SUS, são beneficiários do Bolsa Família, dependem da educação pública ou precisam da aposentadoria para pagar as despesas, o voto em Flávio Bolsonaro vai exatamente contra as suas próprias necessidades.

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Feito no Espírito Santo.