Atualizado em 05/03/2026 – 14:58
Uma mancha escura observada recentemente no mar da Praia da Guarderia, na Praia do Canto, em Vitória, gerou preocupação entre moradores e frequentadores da região. Diante da repercussão, a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) divulgou uma nota para esclarecer que o fenômeno não tem relação com o sistema de coleta e tratamento de esgoto operado pela empresa.
Segundo a companhia, o sistema de esgotamento sanitário funciona de forma totalmente fechada. Isso significa que o esgoto gerado em residências e estabelecimentos segue por tubulações subterrâneas até estações de bombeamento e, posteriormente, para Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), onde passa por processos de remoção de matéria orgânica antes de ser devolvido ao ambiente.
De acordo com a Cesan, as estações utilizam tecnologias capazes de remover até 95% da carga orgânica do esgoto sanitário tratado. A empresa também afirma que Vitória foi a primeira capital brasileira a alcançar a universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto.
A companhia informa que, atualmente, cerca de 22 bilhões de litros de esgoto são coletados e tratados anualmente apenas na capital capixaba.
Origem da mancha
Na nota divulgada, a Cesan aponta que a mancha observada na Praia da Guarderia está associada ao sistema de drenagem de águas pluviais da cidade.
Diferentemente do esgoto sanitário, a água da chuva que escorre pelas ruas não passa por tratamento antes de ser lançada no ambiente. Durante o trajeto, essa água pode carregar resíduos diversos, como lixo urbano, matéria orgânica em decomposição, além de fezes e urina de animais.
Segundo a companhia, na região da Guarderia há uma tubulação de drenagem pluvial que deságua diretamente no mar. Esse fluxo pode transportar contaminantes acumulados nas vias e provocar alterações na cor da água, além de gerar odor e comprometer temporariamente a qualidade ambiental do local.
Responsabilidade pela drenagem
A Cesan destacou ainda que, conforme a legislação brasileira, os sistemas de drenagem de águas pluviais são de responsabilidade das prefeituras municipais, não das companhias estaduais de saneamento.
A orientação da empresa é que, ao identificar tubulações despejando água com odor ou aspecto semelhante a esgoto em praias ou outros corpos d’água, a população comunique a prefeitura responsável pela gestão da drenagem urbana.
A situação reforça um desafio comum em diversas cidades brasileiras: enquanto o tratamento de esgoto avançou nos últimos anos, a infraestrutura de drenagem pluvial ainda carece de soluções capazes de evitar que poluentes urbanos sejam levados diretamente para rios, lagoas e áreas costeiras.
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