Atualizado em 26/07/2026 – 11:00
Desde a redemocratização, o Espírito Santo tem escolhido governadores que, com variações mais à esquerda ou mais à direita, permaneceram dentro de um campo político moderado. Foi assim com Max Mauro, Albuíno Azeredo, Vitor Buaiz, José Ignácio Ferreira, Paulo Hartung e Renato Casagrande.
Esse histórico não é irrelevante. Foram gestões de centro-direita e centro-esquerda que ajudaram a organizar a máquina pública, dar estabilidade administrativa ao estado e colocar o Espírito Santo em posição confortável no cenário nacional.
Mas a sociedade mudou, e mudou em velocidade rara. Movimentos que antes surgiam de forma gradual hoje aparecem de maneira abrupta. Isso pode produzir novidades históricas, mas nem sempre positivas. Quando a política acelera demais, o debate público perde parte de sua capacidade de análise e, muitas vezes, também de racionalidade.
Além da tradição eleitoral capixaba, as pesquisas de intenção de voto indicam que os chamados independentes, eleitores que não se identificam claramente com a direita ou com a esquerda, seguem como uma parcela relevante da população. Em uma disputa majoritária, esse eleitorado dificilmente pode ser tratado como detalhe.
Entre os atuais postulantes ao Palácio Anchieta, Lorenzo Pazolini e Magno Malta carregam históricos políticos que os afastam do centro. Ricardo Ferraço, desde que assumiu efetivamente a chefia do governo estadual, tem feito acenos para fora desse campo. Helder Salomão, por outro lado, aparece hoje como o nome mais fincado no espaço que, historicamente, o eleitor capixaba costuma preferir.
Os movimentos recentes de Lorenzo e Ricardo deram a impressão de uma disputa para ver quem consegue avançar mais à direita. A lógica eleitoral dessa escolha é discutível. Trata-se de brigar por um espaço que terá de ser dividido, que isoladamente não é majoritário e que ainda pode ampliar a rejeição no campo contrário e entre os independentes. É um jogo de viabilidade arriscada.
Com esses deslocamentos, Ricardo Ferraço, que parecia ocupar a posição de candidato da centro-direita, aproxima-se cada vez mais do terreno político de Pazolini. Em vez de seguir caminho semelhante ao de Casagrande, seu apoiador, que venceu a eleição passada pela lógica do centro, Ferraço parece testar uma rota mais inclinada à direita. A história eleitoral mostra que candidatos mais extremados podem até chegar ao segundo turno, mas costumam encontrar mais dificuldade para vencer a etapa final.
É verdade que o cenário atual está mais à direita do que em pleitos anteriores. Os dois nomes que aparecem à frente nas pesquisas têm perfis mais conservadores do que o eleitor capixaba se acostumou a eleger para o comando do estado. Ainda assim, isso não elimina a importância do centro político como espaço decisivo da disputa.
Hoje, Helder Salomão parece ser o candidato mais associado a esse campo, embora ainda precise fazer essa percepção chegar ao eleitor. Lorenzo Pazolini e Magno Malta se posicionam fora dele. Ricardo Ferraço, por sua vez, ocupa uma zona de indefinição: faz acenos para fora do centro e deixa em aberto se, havendo reciprocidade desses setores, abraçará de vez as demandas dessa parcela do eleitorado.
A pergunta que fica é simples. Em um estado que historicamente escolheu a moderação para governar, até que ponto vale abandonar o centro para disputar a borda?

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