Atualizado em 25/02/2025 – 11:44
LUANA FRANZÃO
Um balanço mais ou menos faz o Nubank perder valor de mercado e ser ultrapassado pelo Itaú como mais valioso da América Latina, Elon Musk quer que você trabalhe do escritório e outros destaques do mercado nesta terça-feira (25).
Roxinho em Apuros
O mercado financeiro é temperamental. Às vezes, basta um trimestre mais ou menos para mudar a visão dos investidores sobre o momento da companhia.
É o que aconteceu com o Nubank, que divulgou os resultados dos três últimos meses de 2024 na última quinta-feira (20). Com a queda de valor de mercado, o banco digital deixou de ser o mais valioso da América Latina.
EM NÚMEROS
– A receita apresentada foi de US$ 2,99 bilhões (R$ 17,2 bilhões);
– A estimativa mediana para a receita, calculada pela Bloomberg, era de US$ 3,21 bilhões (R$ 18,4 bilhões).
– O retorno sobre o patrimônio líquido, mais conhecido por ROE, foi 29%, em linha com as expectativas.
– US$ 552,6 milhões (R$ 3,2 bilhões) foi o lucro líquido divulgado;
– US$ 566,4 milhões (R$ 3,3 bilhões) era a estimativa média da Bloomberg.
NAS LETRINHAS DO RODAPÉ
O problema maior está na desaceleração de outros índices operacionais que são importantes, mas menos aguardados que o lucro e a receita. Entre eles, a margem financeira e a receita média por cliente, que caiu pelo segundo trimestre seguido.
MAL-ESTAR
As ações do Nubank – que são negociadas na NYSE (New York Stock Exchange), uma das bolsas de valores americanas caíram 18,89% no pregão da sexta-feira, dia seguinte da divulgação do balanço de resultados.
Em uma tacada só, perdeu quase toda a alta acumulada desde o início deste ano: aproximadamente 29%.
Ainda, a fintech perdeu cerca de US$ 11 bilhões em valor de mercado (R$ 63,2 bilhões).
Com essa redução, o Itaú retomou o posto de banco mais valioso da América Latina.
O QUE ACONTECEU?
Os analistas do banco e fora dele atribuíram a queda nos indicadores à desvalorização do real frente ao dólar no segundo semestre do ano passado.
27% foi a alta acumulada da divisa americana frente à moeda brasileira em 2024. O momento de incerteza desafia instituições financeiras, principalmente aquelas que são menos tradicionais.
Para mitigar os impactos, o roxinho toma uma abordagem mais conservadora. Está segurando a mão na concessão de crédito para clientes de rendas menores e investindo pesado nas carteiras premium, seção chamada de Ultravioleta.
Gigante das entregas
Você sabia que o iFood tem dono? O aplicativo de delivery é comandado por uma empresa holandesa de investimento chamada Prosus.
A companhia é especializada em investimentos em tecnologia de dados e inteligência artificial a maior parte das empresas que opera são similares à brasileira de entregas.
Nesta semana, a Prosus conclui a compra de outra plataforma de delivery e torna-se a quarta maior do mundo no setor.
Quem manda? O brasileiro Fabrício Bloisi, que foi o CEO do iFood de 2013 a 2024. Desde maio do ano passado, ele ocupa a principal cadeira executiva da holding.
Desde sua estreia como diretor-presidente, já selou a compra da Decolar, por US$ 1,7 bilhão (R$ 9,7 bilhões) e da Just Eat Takeaway.com, a mais recente.
A Prosus é controlada por uma holding sul-africana de tecnologia chamada Naspers.
Na porta da sua casa onde quer que você esteja. Essa é a ideia por trás da compra da Just Eat Takeaway.com por 4,1 bilhões (R$ 24,6 bilhões).
A plataforma europeia atua em mais de 15 países, incluindo os gigantes Alemanha e Reino Unido.
Agora, a Prosus fica atrás apenas de três concorrentes: DoorDash (EUA), Uber Eats (EUA) e Meituan (China).
PASSO MAIOR QUE A PERNA?
O momento nas empresas de delivery é delicado: elas tentam entender qual o tamanho da demanda real do público.
Depois que a pandemia acabou, os pedidos diminuíram, apesar de mais famílias terem ganhado o hábito de pedir comida.
Por isso, o mercado viu a compra sob duas óticas diferentes.
– Por um lado, as ações da Prosus recuaram 7% em Amsterdã, com investidores preocupados com a compra de um negócio que vê sua demanda cair paulatinamente;
– Por outro, as ações da Just Eat dispararam 54%. Aqui, a lógica é de que um negócio que estava perdendo a sua força foi comprado por uma holding importante do setor e pode ver uma injeção de investimento e capacitação.
Elon Musk e a cruzada contra o home office
Se depender de Elon Musk, ninguém mais trabalha de casa.
O bilionário e braço direito do presidente dos EUA disse ontem que, a partir desta semana, os funcionários do governo serão colocados em licença administrativa se não voltarem para os escritórios.
Pode isso, produção? Mais ou menos. Musk foi colocado por Donald Trump no comando do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (apelidado de DOGE na mídia internacional), o que dá a ele certo poder em determinar o que, em sua opinião, melhoraria o funcionamento do aparelho estatal americano.
A missão do bilionário é reduzir o orçamento federal, em resumo. Para isso, algumas medidas polêmicas já foram tomadas.
O governo enviou emails para funcionários federais pedindo que eles detalhassem suas atividades de trabalho na semana anterior, sob o risco de perder seus empregos.
Os emails foram disparados na semana passada, pouco tempo depois de Musk publicar no X que não respondê-los seria entendido como um pedido de demissão.
Segundo ele, o presidente lhe cobrou mais agressividade nas tentativas de reduzir e remodelar a força de trabalho federal atualmente com 2,3 milhões de pessoas.
Ainda que sua autoridade pareça evidente, não sabemos direito qual é a base legal que o CEO da Tesla tem para demitir funcionários.
O AFGE (Federação Americana de Funcionários do Governo), sindicato que representa os funcionários federais, disse em um comunicado que contestará quaisquer “demissões ilegais”.
IMPACTO
A defesa de Trump e sua gestão do retorno ao trabalho presencial pode gerar uma pressão maior pelo fim do home office em empresas privadas sobretudo aquelas que já vêm dando sinais de alinhamento com o governante, como as big techs.
Entre os exemplos de destaque está a Amazon, que anunciou a volta ao escritório cinco vezes na semana. O novo modelo deveria começar em 2 de janeiro deste ano, mas foi adiado porque os escritórios aindam não comportam tanta gente.
O que mais você precisa saber
Ele voltou (?) Depois de cortar novos financiamentos pelas linhas de crédito do Plano Safra, o governo publicou uma medida provisória que destina R$ 4,18 bilhões extras ao programa.
Subiu de novo a previsão da inflação. É a 19ª semana em que economistas elevam seus cálculos para o índice.
A fonte que nunca seca. As big techs e Trump parecem se dar cada vez melhor. A Apple anunciou um investimento de US$ 500 bilhões (R$ 2,8 bilhões) nos EUA em 4 anos e prometeu 20 mil empregos no país.
Não colou. A fundadora da startup Theranos, Elizabeth Holmes, enganou bilionários do Vale do Silício para que investissem em sua empresa (que vendia uma tecnologia inexistente). Ela tentou se defender, mas não se livrou dos 11 anos de prisão.
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