Atualizado em 19/03/2026 – 11:58
Um dos nomes mais revolucionários da arte brasileira do século XX, Hélio Oiticica será tema de um seminário especial neste fim de semana, dias 21 e 22 de março, em Vila Velha, evento que também marca a inauguração da obra Magic Square #3 no Parque Cultural Casa do Governador. Para entrar no clima, o VIXFeed te conta um pouco sobre a trajetória do artista que rompeu com padrões tradicionais e convidou o público a deixar de ser espectador para se tornar parte ativa da obra, um conceito que segue influenciando a arte contemporânea até hoje. Ainda há ingressos para a programação de domingo (22).
Do quadro à experiência: quem foi Hélio Oiticica
Nascido no Rio de Janeiro, em 1937, Hélio Oiticica iniciou sua trajetória artística ainda jovem, ligado ao movimento concreto. Com o tempo, rompeu com a rigidez geométrica e passou a integrar o movimento Neoconcretismo, que defendia uma arte mais sensorial, subjetiva e interativa.
Foi nesse contexto que surgiram algumas de suas criações mais marcantes, como os Parangolés, que são capas e estandartes coloridos que só se completam quando vestidos e movimentados pelo corpo. A proposta era clara: a obra de arte não existe sem a participação do público.
Outro exemplo emblemático é a instalação Tropicália, que deu origem ao nome do movimento cultural que marcaria a música brasileira nos anos seguintes. A obra propunha uma experiência imersiva, com elementos como areia, plantas, cores vibrantes e até papagaios, criando um ambiente que estimulava os sentidos e questionava o conceito tradicional de arte.
Arte que se vive: a experiência de Magic Square #3
A inauguração de Magic Square #3 no Parque Cultural Casa do Governador reforça, na prática, um dos pilares da obra de Hélio Oiticica: a arte como experiência. Na oportunidade, haverá uma conversa musical com a cantora Adriana Calcanhotto, mediada pelo curador do parque, Omar Salomão. Ela falará sobre sua relação com a obra do artista plástico, destacando diálogos entre música, artes visuais e experimentação artística.
A série Magic Square é composta por estruturas geométricas coloridas que convidam o público a caminhar por dentro da obra, percebendo cores, luz e espaço de forma ativa. Não se trata apenas de observar, mas de vivenciar.
Essa proposta dialoga diretamente com o pensamento do artista, que buscava romper com a ideia de arte como algo distante ou intocável, aproximando-a do corpo e da experiência cotidiana.
Arte, corpo e liberdade
Mais do que objetos, Oiticica criava experiências. Sua produção dialogava com temas como:
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liberdade de expressão
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participação coletiva
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crítica social e cultural
Ele também teve forte relação com a cultura das favelas cariocas, especialmente com a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, que influenciou diretamente sua estética vibrante e em movimento.
Nos anos 1970, o artista viveu em Nova York, onde aprofundou ainda mais suas pesquisas sobre comportamento, ambiente e percepção. Sua obra passou a explorar não apenas o espaço físico, mas também as sensações e a vivência individual de cada pessoa.
Um legado que atravessa gerações
Hélio Oiticica faleceu precocemente, em 1980, aos 42 anos, mas deixou um legado que continua atual. Sua visão de arte como experiência participativa influenciou artistas no Brasil e no exterior, além de dialogar com áreas como arquitetura, performance e design.
Mais do que observar, ele nos convida a sentir, participar e questionar. E agora, com a chegada de Magic Square #3 ao Espírito Santo, esse convite está mais acessível do que nunca.
Seminário em Vila Velha amplia o olhar sobre o artista
O seminário realizado neste fim de semana, em Vila Velha, propõe justamente essa imersão no pensamento de Oiticica. Ao longo dos dias 21 e 22 de março, a programação reúne discussões, reflexões e análises sobre sua produção, conectando teoria e prática, especialmente com a chegada de uma obra tão emblemática ao Espírito Santo.
A proposta é aproximar o público de conceitos que, muitas vezes, parecem distantes, mas que estão profundamente ligados à forma como vivenciamos a arte hoje.
Serviço
Seminário Só o experimental me interessa: 46 anos da morte de Hélio Oiticica – Inauguração Magic Square #3
Local: Parque Cultural Casa do Governador. Rua Santa Luzia, s/n, Praia da Costa, Vila Velha
Datas: 21 e 22 de março
Inscrições para o Seminário: https://parqueculturalcasadogovernador.byinti.com/#/event/so-o-experimental-me-interessa-46-anos-da-morte-de-helio-oiticica
Programação Sábado (21/03):
10h | Mesa 1: Projeto H.O – Cesar Oiticica Filho e Lisette Lagnado. Mediação: Nathan Braga
11h30 | Mesa 2: Delírio, ordem e revolução cultural – Paulo Herkenhoff e Fernanda Lopes. Mediação: Carolina Rodrigues
14h30 | Mesa 3: Trabalhar cansa – Joe Buggilla e Raphael Escobar. Mediação: Bia Morgado
16h | Solenidade de inauguração Magic Square #3
16h30 | Conversa musical com Adriana Calcanhotto
Programação Domingo (22/03):
10h | Visita mediada especial
11h | Oficinas: Labirinto de lençóis (15 vagas, 3 a 10 anos), com Valentim Faria, e Ativação: a cura vem através do caminhar (vagas livres), com Henrique Nascimento
13h30 | Mesa 4: Experimentar o experimental – Nuno Ramos e Pollyana Quintella
14h40 | Mesa 5: Só para quem pode: amizade, samba, rock – Paulo Ramos, Maurício Barros de Castro e Milton Cunha. Depoimento em vídeo: Andreas Valentim
15h40 | Cortejo com a escola de samba Mocidade Unida da Glória (MUG)
17h | Encerramento
Sábado e domingo: Arena H.O (espaço de pesquisa e compartilhamento)

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