Atualizado em 04/03/2026 – 17:42
A candidatura de Helder Salomão ao governo do Espírito Santo traz pontos positivos tanto para o estado quanto para o campo progressista capixaba. Há quanto tempo o Partido dos Trabalhadores (PT) não disputa, de fato, uma eleição para o governo estadual com um nome de trajetória consolidada, base política e histórico consistente de votação? A existência de alternativas eleitorais em diferentes espectros do campo democrático é sempre saudável para o debate público.
Helder, deputado federal mais votado na atual legislatura, abraçou a candidatura e tem demonstrado disposição e energia diante do desafio. O caminho, no entanto, é longo, difícil e sinuoso. O candidato petista precisará consolidar suas forças e ampliar sua presença entre públicos onde ainda enfrenta rejeição ou baixa visibilidade.
Um desses públicos é o eleitorado jovem. De acordo com pesquisas do VIXFeed, a base eleitoral de Helder é majoritariamente composta por eleitores mais maduros. Entre os jovens, especialmente aqueles que não se identificam com o PT, existe um espaço importante para crescimento.
Nesse cenário, o próprio partido precisa acompanhar o ritmo de seu candidato. O PT capixaba atravessa um momento que exige atualização política e organizacional. Hoje, a legenda não administra nenhum dos 78 municípios do estado e há tempos deixou de se caracterizar por protagonismo institucional no Espírito Santo.
Isso se reflete em algumas contradições políticas difíceis de explicar ao eleitor. O partido segue integrando o governo Renato Casagrande, com um secretário e quadros em escalões inferiores, mesmo após o governador ter anunciado que possui um candidato próprio à sucessão. Diante desse quadro, surge a pergunta inevitável: por que o PT permanece no governo em vez de concentrar sua energia na construção da candidatura de Helder?
A situação se torna ainda mais evidente quando se observa a Secretaria de Esportes, comandada pelo partido. A gestão apagada e a ausência de vínculo histórico do secretário com a área não contribuem para fortalecer um projeto político que pretende disputar o comando do Palácio Anchieta. Em vez de projetar força, a presença no governo transmite a sensação de acomodação.
Outro sinal desse descompasso apareceu recentemente na reunião para discutir o plano de governo do partido. O encontro reuniu um grupo restrito de dirigentes, parlamentares e representantes de tendências internas, transmitindo uma imagem de anticlímax para quem entende que a política depende, acima de tudo, da capacidade de mobilizar sentimentos e entusiasmo coletivo.
Se conseguir se ajustar à conjuntura atual, o PT poderá potencializar uma candidatura que nasce competitiva. Helder ainda contará com um fator político relevante: o apoio do presidente Lula, que historicamente demonstra forte capacidade de mobilização eleitoral.
Caso a candidatura estadual consiga se aproximar, em números, do desempenho que Lula costuma alcançar no Espírito Santo, o cenário político local poderá sofrer uma sacudida significativa. E, em eleições competitivas, às vezes é exatamente disso que uma campanha precisa para mudar o jogo.

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