Atualizado em 27/01/2026 – 13:30
O Espírito Santo lançou, nesta terça-feira (27), o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo, iniciativa voltada ao financiamento de projetos de transição energética e à redução das emissões de gases de efeito estufa. O fundo é liderado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e será operado sob gestão da BTG Pactual Asset Management.
O lançamento ocorreu em cerimônia no Palácio Anchieta, em Vitória, e posiciona o Estado entre os entes federativos que avançam na criação de instrumentos financeiros voltados ao desenvolvimento sustentável, utilizando recursos oriundos de combustíveis fósseis para impulsionar investimentos em economia de baixo carbono.
Pioneiro no financiamento verde no País, o Bandes foi citado no relatório internacional State of Green Banks 2025, que destaca a atuação de bancos de desenvolvimento no enfrentamento às mudanças climáticas. O fundo está alinhado ao Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Espírito Santo, que prevê a redução de 27% das emissões até 2030 e a neutralidade de carbono até 2050.
A estrutura do Fundo de Descarbonização segue o modelo de blended finance, que combina recursos públicos e privados. Inicialmente, foram aportados R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), com expectativa de alavancar novos investimentos por meio da participação da iniciativa privada. A projeção é que o volume total de recursos supere R$ 1 bilhão nos próximos anos.
Os investimentos do fundo serão orientados por quatro eixos principais: minimização de emissões, aumento da eficiência, compensação de emissões e remoção e captura de gases de efeito estufa. A estruturação do mecanismo envolveu parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), que apoiou o desenho do instrumento financeiro e a identificação de demandas de investimento em descarbonização no Estado.
Durante o lançamento, o governador Renato Casagrande destacou que o fundo consolida uma trajetória de políticas ambientais adotadas pelo Espírito Santo, como o Programa Reflorestar, o Cadastro Ambiental Rural e o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas. Segundo ele, o novo instrumento permite transformar recursos de origem fóssil em investimentos voltados à transição energética e ao desenvolvimento sustentável.
O vice-governador Ricardo Ferraço afirmou que o Fundo posiciona o Espírito Santo na vanguarda nacional ao criar um dos maiores fundos subnacionais de descarbonização do País e o primeiro a utilizar royalties de petróleo em larga escala para financiar investimentos verdes. De acordo com ele, a expectativa é gerar empregos verdes, diversificar a economia e fortalecer a resiliência social.
Para o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, o fundo representa uma política pública estruturada para garantir que os investimentos contribuam diretamente para o cumprimento das metas de neutralidade de carbono assumidas pelo Estado. Ele ressaltou que a política de investimentos foi construída com critérios técnicos e governança específica, assegurando alinhamento com a transição climática e impacto socioeconômico positivo.
O Fundo de Descarbonização foi estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e terá como foco o financiamento de projetos sediados no Espírito Santo que contribuam para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Os recursos poderão ser destinados a títulos de crédito e outros direitos creditórios emitidos por empresas e projetos vinculados à descarbonização.
Entre os principais setores que poderão ser apoiados estão geração de energia renovável, como solar, eólica, biogás e biometano, tecnologias limpas para a indústria, eficiência energética, eletrificação de cadeias logísticas, reflorestamento, restauração ambiental, agricultura sustentável, biocombustíveis, transportes de baixa emissão e gestão de resíduos.
Os ativos financiados deverão estar distribuídos entre diferentes setores, sendo vedada a concentração em apenas uma área. Além disso, os projetos precisarão cumprir normas ambientais, de saúde e segurança do trabalho, além de estar regulares com órgãos públicos estaduais e federais.
A BTG Pactual Asset Management foi selecionada em 2025, por meio de chamada pública que contou com 11 candidatas de todo o País. A gestora será responsável pelo atendimento às empresas interessadas e pela análise técnica dos projetos submetidos.
Segundo o sócio da gestora, Sergio Cutolo, a iniciativa cria um instrumento capaz de transformar metas climáticas em investimentos concretos, combinando retorno financeiro com impacto ambiental e social. Já o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, destacou que a Secretaria atuará na articulação com o setor produtivo, por meio da agência de atração de investimentos NOVA ES, para conectar empresários e investidores às oportunidades geradas pelo fundo.
Os critérios operacionais, condições de acesso aos recursos e procedimentos para submissão de projetos serão divulgados em breve.
Mais informações estão disponíveis no site do Bandes.

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