Atualizado em 16/01/2026 – 15:37
Sempre tive uma teoria muito peculiar sobre pódios. O primeiro lugar é o espaço que todo mundo quer, indiscutivelmente. Já o segundo é um posto ingrato, sabe? Porque carrega aquele gosto amargo do “quase”, do “por um triz”, do ouro que escapou pelos dedos. E, por incrível que pareça, o terceiro é um lugar de alívio, de “que bom que eu cheguei até aqui!”.
Isso também se aplica às nossas relações, e quem me trouxe essa percepção foi o psicólogo Marcos Lacerda em um podcast. Percebi que a gente sofre muito porque passa tempo demais brigando pelo primeiro lugar na vida do outro. Queremos que a nossa vontade prevaleça, que o nosso jeito de organizar os talheres na gaveta seja regra absoluta… Uma briga exaustiva de egos, onde ninguém cede um centímetro sequer.
Mas, caro leitor, uma boa relação nasce, justamente, do lugar mais baixo do pódio: no terceiro lugar. Esse espaço que não é meu, nem seu, mas nosso. Um ambiente neutro onde a gente baixa a guarda e busca o consenso. Porque, sinto lhe informar, ninguém vem pronto. Nem macarrão instantâneo é assim, por que a sua alma gêmea também seria? Essa ideia de que vamos encontrar alguém que já saiba exatamente como atender às nossas expectativas, sem que precisemos mover uma palha, é uma das maiores bobagens existentes.
Basta olhar com calma para um casal que divide a vida há dez ou vinte anos. Acredito que, se eles pudessem voltar no tempo, provavelmente não se escolheriam hoje se tivessem que lidar com as versões imaturas que eram no começo, porque a base da relação é o fato de terem construído, tijolo por tijolo, esse terceiro lugar.
Ele ou ela não gosta de jantar fora toda terça? Tudo bem. Você faz questão? Então tentem duas vezes por mês. Isso não é “ceder” no sentido de perder; é investir na construção de algo novo, que funciona para ambos. O terceiro lugar é onde a gente entende que o amor é feito de concessões saudáveis, absorvendo o que o outro tem de bom e permitindo que ele também se alimente daquilo que você oferece.
Dizem por aí que os opostos se atraem. Entretanto, para mim, a verdade é outra: pessoas dispostas se atraem. Estar disposto é a maior green flag que existe. É ter a coragem de construir esse terceiro lugar que é feito de amor, mas, acima de tudo, por dois interessados em fazer a coisa dar certo.

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