Atualizado em 19/02/2026 – 08:36
Depois de 10 anos longe da elite, a Unidos de Barreiros deu a volta por cima e conquistou o título da Série Ouro do Carnaval de Vitória 2026. A apuração ocorreu na noite desta quarta-feira (18), no Sambão do Povo, em Vitória. Com 179,4 pontos, a escola do bairro São Cristóvão, na capital, garantiu o retorno ao Grupo Especial em 2027, coroando um desfile marcado pela exaltação da ancestralidade africana. No outro extremo da tabela, a Independentes de São Torquato terminou na última colocação, com apenas 16,6 pontos após sofrer uma sequência de notas zero por não cumprir os quesitos mínimos exigidos no regulamento.
A Barreiros abriu a primeira noite de desfiles da Série Ouro, na última sexta-feira (13). Com cerca de 600 componentes distribuídos em 13 alas e duas alegorias, a escola levou à avenida o enredo “Baobá: A Árvore da Vida”, propondo uma reflexão sobre as raízes africanas e sua influência na formação cultural brasileira, especialmente no Nordeste. A simbologia da árvore, conhecida por resistir em solos áridos, serviu de metáfora para a força de um povo que transforma escassez em potência cultural, preservando identidade por meio da oralidade, da religiosidade e das tradições populares.
Fundada em 1972 como um bloco carnavalesco idealizado por José Coelho Damascena e Toninho Lobão, a Unidos de Barreiros tornou-se oficialmente escola de samba em 1982. Em 2024, havia sido rebaixada ao antigo Grupo B, quando o acesso ainda era dividido em duas categorias. Agora, uma década após sua última passagem pelo Grupo Especial, a agremiação celebra o retorno à principal divisão do carnaval capixaba.
A disputa na Série Ouro foi acirrada nas primeiras posições. A Eucalipto ficou em segundo lugar, com 178,7 pontos, seguida por Tradição Serra (178,3), Mocidade da Praia (178,2) e Chega Mais (178). Também desfilaram Itacibá (177,8), Mocidade Serrana (168,4) e Império de Fátima (166,2).
Já a Independentes de São Torquato enfrentou uma noite marcada por dificuldades. A escola de Vila Velha entrou na avenida com o enredo “Ewê Ossain, plantas que curam o corpo e a alma”, mas desfilou sem carros alegóricos, com número reduzido de integrantes e sem cumprir o mínimo de 500 componentes exigido pelo regulamento. O resultado foi uma sequência de notas zero em diferentes quesitos: cenário que nenhuma outra agremiação enfrentou. A escola obteve apenas um 9,8 em bateria e um 9,9 em samba-enredo, mas as penalidades aplicadas derrubaram a pontuação final para 16,6.
Como consequência, o presidente da escola, Wilton Quadros, e o diretor de carnaval, Jonas Schneider, foram proibidos de participar de eventos promovidos pela Liga Espírito-Santense de Escolas de Samba (Lieses).

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