O Vital se aproxima, e seria interessante ver Lorenzo Pazolini chegar ao Sambódromo com a companhia que escolheu para pedir votos: Magno Malta e Maguinha. Já que os três andam juntos para apresentar um projeto de poder ao Espírito Santo, a curiosidade sobre a extensão dessa afinidade é bastante razoável.
Pazolini quer o Palácio Anchieta. Maguinha quer uma cadeira no Senado, onde o pai já está instalado. Se tudo sair como a família pretende, dois dos três assentos capixabas na Casa terão o sobrenome Malta. E o ex-prefeito de Vitória terá ajudado a transformar essa concentração familiar em resultado eleitoral.
É uma escolha pela qual Pazolini deve responder. O apoio a Maguinha faz parte do projeto que ele oferece ao eleitor e merece ser examinado com a mesma atenção dedicada às suas promessas de governo. Ao trabalhar pela eleição da filha de Magno, o candidato também revela quem pretende fortalecer e com quem deseja dividir influência.
Mas voltemos ao Vital, onde essa sociedade política poderia render uma cena memorável.
Imaginem Magno, Maguinha e Pazolini fazendo o L com Léo Santana, ao som de “Zona de Perigo”. Se entrar “Vai Dar PT” no repertório, melhor ainda: a assessoria que lute para explicar o vídeo. Ou os três poderiam ir de ladinho com a Banda Eva, numa demonstração de entrosamento que dispensaria discurso.
A graça está em imaginar o encontro. A cobrança começa quando se pergunta o que, além do interesse eleitoral, sustenta essa união.
Pazolini pretende levar seus aliados para a fotografia da festa? Ótimo. Poderia aproveitar para explicar o que os três defendem para o Carnaval e para a cultura capixaba. Que manifestações merecem apoio público? Quais critérios devem orientar esse apoio? Como pretendem lidar com artistas e expressões culturais que contrariem suas convicções ou desagradem a seus apoiadores?
São perguntas sobre o exercício do poder. Comparecer ao Vital não responde a nenhuma delas, assim como faltar ao evento não comprova coisa alguma. A resposta precisa aparecer nas propostas, na destinação de recursos e nas decisões que esse grupo está disposto a tomar.
Pazolini merece ser cobrado justamente porque participa da construção dessa aliança. Não cabe apresentá-lo como alguém que apenas recebeu companhia durante a caminhada. Ele pede apoio, oferece apoio e ajuda a viabilizar um projeto que pode colocar pai e filha na bancada capixaba do Senado. Há responsabilidade política nessa escolha, por mais descontraída que seja a próxima foto.
Antes de saber se a dupla Malta vai acompanhar Pazolini no Vital, portanto, convém saber até onde Pazolini está disposto a acompanhar a dupla Malta no poder.
Essa resposta interessa bem mais ao Espírito Santo do que a lista de convidados do camarote.

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