Atualizado em 02/04/2025 – 09:32
Morreu, nesta terça-feira (1), a paciente Pâmela Souza, que lutava contra um câncer em estágio avançado e que no último mês de fevereiro deu à luz o pequeno Ravi. A informação foi divulgada pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes), onde ela ficou internada e o parto ocorreu. Ela faleceu em casa, após ter alta para cuidados paliativos, pois a cura já não era mais possível.
O parto de Ravi ocorreu em condições raras e especiais que mobilizaram equipes de diferentes serviços do Hucam. Ele precisou ser antecipado por causa do estágio avançado da doença da mãe e ocorreu quando o bebê completou 28 semanas de gestação.
Quase uma semana após a cirurgia, a mãe ficou em condições de ter o primeiro contato consciente com o filho para, dias depois, receber alta do Hucam para cuidados paliativos.
Pâmela será sepultada às 14h de quarta-feira (02), no Cemitério de Maruípe, em Vitória, conforme informou a família.
Ravi
Há exatos 54 dias, Ravi nasceu com 1,2kg. Ele segue internado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hucam, como geralmente ocorre com bebês nascidos com esta prematuridade.
O hospital informou ainda que ele tem quadro de saúde estável, ganha peso, mas ainda não tem previsão de alta.
Gravidez inesperada
Segundo relato do marido de Pâmela, Rilles de Souza, que concordou em divulgar detalhes sobre a história da família, a esposa tinha o tumor controlado depois de sessões de quimioterapia e radioterapia realizadas pelo SUS, mas a gravidez inesperada reativou a doença. A manutenção da gestação reduz as opções terapêuticas para o tratamento oncológico e, neste caso, o desejo da mãe foi seguir com a gravidez até o fim.
Com o parto bem-sucedido, a mãe seguiu internada no Hucam, mas o tumor já não permitia que Pâmela tivesse interações contínuas com consciência plena, além das limitações de movimentos e de visão causadas pela doença no cérebro. Semanas depois, ela recebeu alta para receber os cuidados paliativos em casa.
Primeiro contato
Com todo esse contexto, depois que Ravi nasceu, Pâmela ficou seis dias sem ver o bebê. Até que no dia 12 de fevereiro, a mãe de Ravi recobrou a consciência por tempo suficiente para ver o filho único, um encontro que foi possível depois da mobilização da equipe assistencial. O momento, gravado pela família em vídeo cedido pelo pai, emocionou a todos. Segundo Rilles, a mãe sorriu e pronunciava o nome da criança, além de agradecer aos profissionais que estavam em volta.
“Parei minha vida profissional para cuidar dela, para honrá-la na saúde e na doença. O amor tudo vence”, disse o marido.
A obstetra e chefe da Unidade Materno-Infantil do Hucam, Carolina Ferrugini acompanhou o caso e explicou por que ele é especial para equipe: “Trata-se de uma doença rara, o que, por si só, torna o caso especial. Além disso, a gravidez fazendo tratamento com rádio e quimioterapia não é comum. E também porque, apesar do prognóstico restrito, ela resistiu tempo suficiente para levar a gravidez até uma idade gestacional que viabilizava a vida do bebê. Temíamos que ela não resistisse ao parto”.
O Hucam-Ufes faz parte da Rede Ebserh, vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e que, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais. Por serem hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

Receba, semanalmente e sem custos, os destaques mais importantes do ES, do Brasil e do mundo diretamente no seu e-mail.