Atualizado em 26/02/2025 – 12:21
LEONARDO VIECELI
Em 2022, 75,5% das pessoas com curso de graduação concluído em medicina eram brancas no Brasil, indicam novos dados do Censo Demográfico divulgados nesta quarta-feira (26) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Trata-se da área de estudo com a maior participação branca, considerando as 11 detalhadas em um recorte elaborado pelo instituto. A proporção de 75,5% sinaliza que, de um total de 553,5 mil pessoas com graduação em medicina, 417,8 mil eram brancas.
O segundo maior percentual da lista foi verificado em economia: 75,2%. Medicina e economia foram os únicos campos selecionados pelo IBGE nos quais a participação dos brancos superou 75%. Odontologia (74,4%) e direito (68,2%) apareceram na sequência.
As populações preta e parda, por sua vez, registraram suas maiores proporções na área de serviço social. Nesse campo, os pardos respondiam por 40,2% dos graduados, enquanto os pretos eram 11,8%.
Em religião e teologia, os resultados foram semelhantes. Os pardos representavam 39,8% do total, e os pretos, 11%.
No geral da população brasileira, 45,3% se identificam como pardos, 43,5% como brancos, 10,2% como pretos, 0,6% como indígenas e 0,4% como amarelos. Os dados também são do Censo.
Diferenças por sexo
Outro recorte produzido pelo IBGE envolve as diferenças por sexo. Os resultados mostram, por exemplo, um predomínio dos homens em engenharia.
Em 2022, eles representavam 92,6% do total de graduados na área de engenharia mecânica e metalurgia. A parcela das mulheres era de 7,4%.
Oscar Fahl Ribeiro, 29, é formado em engenharia mecânica e sentiu a baixa participação feminina nos tempos de faculdade.
“Em uma sala de 50 pessoas, se me lembro bem, tinha cinco ou seis mulheres, no máximo”, diz Oscar, que fez a graduação de 2013 a 2018 em São Carlos (SP).
O engenheiro mecânico Pedro Rocha, 26, viveu situação semelhante. Em alguns momentos na graduação, ele chegou a ter apenas uma colega mulher na sala.
“Tive muitos períodos de turma dividida com a engenharia civil e reparei que aí tinha mais mulheres, colocaria uns 40%, 50%. Na mecânica, era menos”, afirma Pedro, que estudou em Belo Horizonte de 2018 a 2022.
De acordo com o IBGE, a participação feminina se destaca na área de serviço social. Em 2022, elas representavam 93% do total de pessoas com graduação nesse ramo. Os homens eram somente 7%.
Outras áreas com grande participação feminina, segundo o Censo, são formação de professores (92,8%) e enfermagem (86,3%).
Grande parte das atividades que envolvem cuidados de outras pessoas historicamente é associada a mulheres. Essas tarefas também são exercidas de alguma forma dentro dos lares, sem remuneração, o que costuma gerar uma sobrecarga para a população feminina, apontam especialistas.
O IBGE ainda apresentou um ranking com os números absolutos de graduados em 40 áreas mais representativas. Gestão e administração é aquela com o maior contingente: quase 4,1 milhões.
Formação de professores (3,1 milhões), direito (2,5 milhões) e promoção, prevenção, terapia e reabilitação (1,4 milhão) aparecem na sequência.
Os dados publicados nesta quarta não trazem informações sobre renda. Nesta divulgação, o Censo investigou as áreas de graduação das pessoas, que podem ou não estar trabalhando nelas. A disparidade salarial entre homens e mulheres, contudo, é um dos traços conhecidos do mercado de trabalho no Brasil.
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