Após duas semanas de campanha eleitoral e a primeira pesquisa exclusiva do VIXFeed no período, a disputa pelo governo do Espírito Santo ainda aparece morna. Esse cenário favorece quem já está à frente, especialmente agora, com menos de 30 dias para a votação do primeiro turno.
Este editorial não pretende fazer uma análise definitiva dos caminhos e resultados de cada candidatura. Isso será feito em momento oportuno. A intenção, por ora, é observar os rumos das campanhas até aqui e seus efeitos sobre os três principais nomes na disputa: Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e Helder Salomão.
Ricardo Ferraço se mostra competitivo. Mais à vontade na cadeira de governador, começa a imprimir seu próprio modo de administrar o estado depois de um início marcado por derrapagens e tentativas de encontrar um caminho que pudesse chamar de seu.
Essa talvez tenha sido sua conquista mais importante até agora. Ricardo passou a ser percebido como um governador real, avaliado por suas próprias ações em um estado com indicadores positivos e ainda amparado pelo apoio do bem avaliado ex-governador Renato Casagrande. Essa percepção, que antes não estava consolidada, tem potencial para fortalecer sua campanha.
Lorenzo Pazolini também segue competitivo. Sua principal aposta foi uma jogada arriscada: associar-se oficialmente a Magno Malta e Flávio Bolsonaro. O acerto dessa escolha só poderá ser medido ao final do pleito. Por enquanto, o efeito mais evidente foi vestir Lorenzo como candidato bolsonarista em um estado que, historicamente, não costuma eleger políticos extremistas para o comando do governo.
O prefeito mantém autonomia sobre sua campanha e conta, entre seus aliados mais ativos, com a prefeita da capital, Cris Samorini, além da dupla Malta: Magno e sua filha Maguinha, que tenta se juntar ao pai no Senado. A reta final servirá para testar como esse grupo reagirá às dificuldades naturais de uma eleição disputada.
Helder Salomão, por sua vez, é o melhor candidato do PT ao governo do Espírito Santo desde Vitor Buaiz. É um quadro preparado, com entregas no Parlamento e no Executivo, bom desempenho nas ruas, capacidade de escuta e histórico de votações expressivas. Ainda assim, os erros persistentes do PT capixaba continuam a assombrar sua campanha.
Helder lida com equívocos estratégicos que começaram antes do período eleitoral e que, a esta altura, já não podem ser plenamente corrigidos. A campanha também sofre com problemas de direção e ainda não conseguiu empolgar uma base expressiva de eleitores de Lula, que poderia impulsionar seu crescimento nas intenções de voto. Entender rapidamente por que isso acontece e corrigir o que ainda for possível talvez seja sua tarefa mais urgente.
A tendência é que a campanha esquente. Os candidatos mais competitivos entram agora em uma fase decisiva, na qual cada escolha pesará mais. A reta final costuma ser cruel com campanha mal ajustada. E 2026 parece caminhar para cobrar caro de quem errar o tom.

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