O governador Ricardo Ferraço (MDB) inverteu a tendência da disputa pelo Governo do Espírito Santo e passou a aparecer à frente de Lorenzo Pazolini (Republicanos) nos dois cenários estimulados testados pelo Instituto França. Em julho, o ex-prefeito de Vitória liderava as duas simulações.
O levantamento também mostra que o apoio de Flávio Bolsonaro perdeu boa parte da força que tinha para impulsionar Pazolini. A vantagem do ex-prefeito no cenário com apoios caiu de 13,09 para 3,62 pontos percentuais entre julho e agosto.
Ferraço cresce mais de cinco pontos e vira o jogo
No cenário estimulado com três nomes, Ricardo Ferraço registra 35,97% das intenções de voto, contra 34,84% de Lorenzo Pazolini. Helder Salomão (PT) aparece com 8,37%.
Os entrevistados que pretendem votar em branco, anular ou não escolher nenhum nome somam 3,17%, e 17,65% não souberam ou não responderam.
Em julho, no cenário equivalente, Pazolini marcava 34,37% e Ferraço, 30,60%. O ex-prefeito abria 3,77 pontos de vantagem. Agora, o governador aparece 1,13 ponto à frente, uma oscilação de 4,90 pontos percentuais em seu favor.
O crescimento é assimétrico. Ferraço avança 5,37 pontos em dois meses, enquanto Pazolini varia 0,47 ponto. Praticamente todo o movimento do período foi capturado pelo governador.
Vantagem também no cenário ampliado
O instituto testou ainda uma simulação com cinco nomes. Nela, Ferraço registra 33,94% e Pazolini, 33,71%. Helder Salomão marca 7,69%, Breno Barcelos (Missão), 1,13%, e Rafael Demuner (UP), 0,23%.
Votos em branco, nulos ou em nenhum candidato somam 3,39%, e 19,91% não souberam ou não responderam.
Em julho, o cenário ampliado também apontava Pazolini na frente, com 29,71% contra 27,72% de Ferraço. A posição se inverteu.
A lista testada mudou entre as rodadas. O senador Magno Malta, que integrava a simulação de julho, não foi incluído, enquanto Breno Barcelos e Rafael Demuner entraram no lugar. Ainda assim, Ferraço apresenta o maior avanço no cenário, com 6,22 pontos de crescimento, contra 4,00 pontos de Pazolini.
Nos dois cenários estimulados, as diferenças de 1,13 e 0,23 ponto ficam dentro da margem de erro de 2,7 pontos, o que configura empate técnico. Ferraço aparece numericamente à frente, mas os intervalos possíveis dos dois candidatos se sobrepõem.
O que a comparação entre as rodadas permite afirmar com segurança é a direção do movimento. O governador saiu de uma posição de desvantagem em ambos os cenários e chegou à condição de empate com vantagem numérica, algo que não ocorria desde o início da série.
Apoio de Flávio perde força e vantagem de Pazolini recua
O Instituto França também apresentou aos entrevistados cenários em que os candidatos aparecem associados a apoios políticos. São simulações: os nomes dos padrinhos são mencionados como hipótese, e não como fato consumado.
Nesse recorte, Lorenzo Pazolini, apresentado como apoiado por Flávio Bolsonaro, registra 36,88%. Ricardo Ferraço, associado ao governador Renato Casagrande, aparece com 33,26%. Helder Salomão, vinculado a Lula, soma 12,90%.
Votos em branco, nulos ou em nenhum candidato somam 3,62%, e 13,34% não souberam ou não responderam.
É o único cenário de primeiro turno em que Ferraço não aparece à frente. A comparação com julho, porém, mostra um movimento acentuado.
Naquela rodada, Pazolini com apoio de Flávio marcava 41,91%, contra 28,82% de Ferraço com apoio de Casagrande. A diferença era de 13,09 pontos. Agora, é de 3,62 pontos. O encurtamento é de 9,47 pontos percentuais em dois meses, a maior movimentação registrada pela pesquisa nesta rodada.
O dado mais expressivo, no entanto, está no efeito isolado do apoio. Em julho, a menção ao apoio de Flávio Bolsonaro rendia a Pazolini 7,54 pontos acima do seu próprio desempenho no cenário sem apoios. Em agosto, o ganho caiu para 2,04 pontos.
O bônus, portanto, encolheu para pouco mais de um quarto do que era. Pazolini recuou de 41,91% para 36,88%, perda de 5,03 pontos, enquanto Ferraço subiu de 28,82% para 33,26%, avanço de 4,44 pontos.
Um quadro em movimento
A rodada de agosto marca o primeiro levantamento da série em que Ricardo Ferraço aparece à frente nos cenários estimulados para o Governo do Estado.
O governador lidera o cenário espontâneo com vantagem fora da margem de erro, aparece numericamente na frente nas duas simulações estimuladas e concentra o maior crescimento do período entre os candidatos testados.
Entre os cenários de primeiro turno, Pazolini mantém vantagem numérica apenas no recorte com apoios, em que sua diferença encolheu quase dez pontos em dois meses.
A disputa, no entanto, continua indefinida. As diferenças estão dentro da margem de erro, e cerca de um quinto do eleitorado ainda não escolheu um nome.
Nova rodada no Espírito Santo
A pesquisa integra a nova rodada do Instituto França sobre as eleições de 2026 no Espírito Santo.
Nos próximos dias, o VIXFeed publica os cenários de segundo turno, os índices de rejeição, além dos números da disputa à Presidência da República. Os cenários para o Senado foram divulgados no sábado (5), e o cenário espontâneo para o Governo do Estado, no domingo (6).
Ficha técnica
O Instituto França ouviu 1.326 eleitores no Espírito Santo entre os dias 20 e 26 de agosto de 2026. A margem de erro informada é de 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O universo pesquisado é de 2.990.582 eleitores. O levantamento para governador e senador está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número ES-07315/2026.

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