Neste sábado (22), Vitória recebe a sexta edição do Dia dos Países Africanos, desta vez voltado para a cultura e gastronomia do Quênia. Idealizado pelo chef e produtor cultural congolês Rikler Makabu Sekelembe (foto), o evento acontece pela primeira vez no Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane), no Centro de Vitória, espaço cultural dedicado a valorizar a cultura afro-brasileira. A entrada é gratuita.
Com mais de dez horas de programação cultural, o evento acontece das 11h às 22h e vai reunir gastronomia típica, palestras sobre história e cultura africana, oficinas de dança, apresentações musicais e uma feira com marcas de afroempreendedores capixabas.
Pratos da gastronomia típica do Quênia e de outras regiões do continente são alguns dos destaques da noite. Ao lado de Rikler, a chef queniana Rhoda Mutisya assina os pratos servidos. Morando no Brasil há um ano, Rhoda cursa Farmácia na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e traz a experiência de quem aprendeu a cozinhar em família, com as técnicas e tradições culinárias de seu país.
Ao todo, serão ofertados cinco pratos. Tradição na mesa dos quenianos, o Arroz de Pilau (R$ 50) envolve um preparo de arroz cozido com carne bovina e temperado com especiarias, servido com banana da terra. Já o Viazi Karai (R$ 40) é típico da comida de rua popular na costa do Quênia. São bolinhos que levam batata cozida, cobertos por uma massa com temperos como cardamomo, canela, pimenta-preta e cominho.
Os Bolinhos Mágicos (R$ 25) consistem em bolinhos de frango ou peixe, inspirados nos preparos populares de rua do Congo. Crocantes por fora, macios por dentro, são acompanhados do molho especial da casa.
Já o prato Mbwnge na Mwamba (R$ 60) leva feijão-fradinho com molho de amendoim e leite de coco, servido com carne bovina ou na opção vegana. Tradição do Congo, acompanha arroz de banana da terra e farofa. Mandazi (R$ 15), bolinhos fritos adocicados famosos no Quênia, também farão parte do cardápio.
História, cultura e identidade africana
De 13h a 16h, o evento promove palestras sobre a história, cultura, gastronomia e a contribuição do Quênia e do continente africano. Kenya Souza, gastrônoma, professora e pesquisadora capixaba que estuda a Cozinha Afrodiaspórica, apresentará a palestra “África no Prato: sabores do Quênia e a herança da culinária africana na cozinha brasileira”.
A historiadora e pesquisadora das relações étnico-raciais Leonor Araújo apresenta “Quênia: história, cultura e a ancestralidade que nos une”, com a participação de Rhoda Mutisya. De origem queniana, a universitária compartilha as vivências pessoais de seu país e o intercâmbio cultural com o Brasil.
Depois, Raquel Aparecida, fazedora cultural, membro da Associação das Bandas de Congo de Guarapari e atuante na visibilidade das comunidades quilombolas locais, conduz a palestra “Raízes africanas e a identidade capixaba: manifestações populares”. As atividades serão conduzidas por Gabriela Maia, que é jornalista, pesquisadora e graduanda pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Oficinas e programação cultural
O evento promove também duas sessões de oficinas de dança, que acontecem de 12h a 13h e de 17h a 18h. A oficina de twerk será conduzida por Makapon Puri, artista da dança e criadora do projeto Ginga Pélvica. O twerk é uma dança afrodiaspórica, construída e fortalecida por comunidades negras da diáspora, especialmente no sul dos Estados Unidos, em continuidade com saberes corporais de matrizes africanas.
Já o Grupo de Dança Afro Negraô vai ensinar ao público ritmos da dança afro. A oficina será conduzida pelos dançarinos do grupo e ministrada pelo bailarino, coreógrafo, professor e pesquisador em dança Gil Mendes.
Ao longo de todo o dia, nos intervalos das programações, a música fica por conta do DJ Kernel. De origem congolesa e angolana, o DJ faz sucesso nas pistas de São Paulo. O baile segue até as 21h com ritmos, batidas e sonoridades que apresentam ao público a pluralidade da cena cultural africana.
Afroempreendedorismo
O público também poderá conferir o trabalho de marcas capixabas autorais que valorizam a identidade negra. Cinco afroempreendedores expõem suas criações, que incluem telas com pinturas africanas em acrílico; roupas e acessórios com estampas e tecidos que celebram a ancestralidade africana; produtos utilitários, como canecas, ecobags e squeezes, que carregam representatividade.
“É uma enorme satisfação retornar à Vitória com mais uma edição do Dia dos Países Africanos. O projeto tem essa missão de fazer com que as pessoas conheçam a África de perto pela dança, cultura, pelo artesanato e toda a riqueza que esse território produz”, celebra o chef Rikler.
Serviço
Dia dos Países Africanos: edição Quênia
Quando: 22 de agosto de 2026 (sábado)
Horário: 11h às 22h
Onde: Mucane – Museu Capixaba do Negro – Av. República, 121, Centro, Vitória (ES)
Entrada: gratuita

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