Atualizado em 18/07/2026 – 14:26
Depois de divulgar os cenários para Presidência, Senado e Governo do Espírito Santo, o VIXFeed reúne os principais movimentos da nova rodada do Instituto França.
A pesquisa registra um momento específico da disputa, mas a comparação com maio permite identificar mudanças relevantes no comportamento do eleitor capixaba.
Lula recupera terreno
Flávio Bolsonaro permanece numericamente à frente no Espírito Santo, mas Lula reduziu de forma significativa a distância.
No primeiro turno, a vantagem caiu de 10,15 para 4,21 pontos percentuais. Flávio passou de 40,05% para 35,03%, enquanto Lula foi de 29,90% para 30,82%. Com a margem de erro informada pelo instituto, os dois aparecem tecnicamente empatados.
No confronto direto, a diferença também diminuiu. Flávio registra 44,79%, e Lula, 37,03%. Em maio, a vantagem era de 13,50 pontos. Agora, está em 7,76.
O desempenho confirma a resiliência de Lula no eleitorado capixaba. Retirados os votos em branco, nulos e os indecisos, o presidente alcança aproximadamente 45,3% dos votos válidos, acima dos 41,96% obtidos no estado no segundo turno de 2022.
Outro dado importante aparece entre os independentes, segmento em que Lula supera Flávio no confronto direto. O crescimento do presidente, portanto, não está restrito ao eleitorado que se identifica como lulista.
O movimento acende um alerta para os palanques estaduais que dependem diretamente da força do bolsonarismo. Flávio continua competitivo, mas sua vantagem já não parece tão confortável quanto em maio.
Ferraço e Pazolini seguem separados por muito pouco
A eleição para o Governo do Estado permanece aberta.
Pazolini aparece numericamente à frente nos cenários de primeiro turno em que participa. Com Magno Malta na disputa, tem 29,71%, contra 27,72% de Ferraço. Sem Malta, registra 34,37%, enquanto Ferraço aparece com 30,60%.
No confronto direto, porém, Ferraço tem 43,06%, e Pazolini, 42,12%. A diferença de 0,94 ponto confirma um empate técnico e praticamente numérico.
Pazolini depende de uma forte consolidação do eleitorado bolsonarista. Quando seu nome aparece associado a Flávio Bolsonaro, seu percentual sobe para 41,91%. Essa ligação produz ganhos, mas também torna sua candidatura mais vulnerável às oscilações e à rejeição do campo nacional.
Ferraço reúne uma coalizão mais ampla. Concentra parte relevante dos eleitores de centro, recebe votos do campo progressista no segundo turno e permanece competitivo entre os independentes. O desafio será manter unidos grupos com posições bastante diferentes.
Uma parcela expressiva do eleitorado pode ainda rejeitar uma eleição estadual inteiramente submetida à polarização nacional. Esse movimento poderá atingir tanto uma candidatura muito dependente do bolsonarismo quanto uma aliança ampla demais e com pouca identidade própria.
Helder cresce, mas ainda tem espaço no eleitorado lulista
Helder Salomão apresenta crescimento em todos os cenários comparáveis com a rodada de maio.
No primeiro turno com Pazolini e Ferraço, passa de 6,62% para 10,64%. Quando aparece associado a Lula, chega a 15,30%. No confronto direto contra Pazolini, avança de 17,44% para 29,18%.
Os números mostram uma candidatura mais presente, mas que ainda não consolidou todo o voto lulista. Mesmo quando os apoios políticos são apresentados, uma parcela desse eleitorado continua escolhendo Ferraço.
O crescimento de Lula abre uma oportunidade para Helder. O desafio será transformar essa recuperação presidencial em voto estadual e impedir que parte do campo progressista antecipe uma escolha por Ferraço como alternativa a Pazolini.
Casagrande mantém liderança, e Contarato melhora de posição
Renato Casagrande continua na situação mais confortável da pesquisa. Ele registra 35,03% no primeiro voto ao Senado, quase três vezes o percentual de Fabiano Contarato, que aparece com 12,20%.
A novidade está justamente em Contarato. Em maio, o senador aparecia atrás de outros candidatos nos cenários testados. Agora, ocupa a segunda posição tanto no primeiro quanto no segundo voto.
O movimento melhora sua condição na disputa, mas a segunda cadeira ainda está longe de uma definição. Quase metade dos entrevistados não indicou um segundo candidato, considerando indecisos, votos em branco, nulos ou em nenhum nome.
Casagrande parece ter consolidado uma das escolhas de parte considerável do eleitorado. A disputa real será para definir quem poderá acompanhá-lo na composição das duas vagas.
Hartung continua no jogo
Paulo Hartung também demonstra que conserva capital político, mesmo sem ter entrado de forma efetiva na disputa.
Ele registra 8,43% no primeiro voto ao Senado e 9,53% no segundo. Num cenário para o governo sem Pazolini, chega a 20,62%, próximo de Magno Malta e Ricardo Ferraço.
Sérgio Meneguelli aparece atrás de outros postulantes ao Senado, enquanto Rose de Freitas ainda enfrenta as dificuldades de uma pré-candidatura lançada mais tarde. Ambos, porém, possuem reconhecimento suficiente para tentar modificar o quadro durante a campanha.
Um cenário ainda longe de estar fechado
A rodada de julho mostra um eleitorado menos previsível do que algumas leituras sugerem.
Lula recupera terreno, sobretudo entre os independentes. Ferraço e Pazolini continuam separados por uma margem mínima. Helder cresce, mas ainda precisa consolidar sua base. Casagrande lidera com folga, enquanto a segunda vaga ao Senado permanece aberta.
Há forças bem posicionadas, mas nenhuma disputa completamente encerrada. A campanha ainda terá peso decisivo na transformação dessas preferências iniciais em votos efetivos.

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