Atualizado em 16/03/2026 – 15:05
O Abrigo Animais Carentes informou que deverá encerrar suas atividades ainda neste mês após uma interdição determinada pela Prefeitura de Vila Velha. A informação foi divulgada pela própria instituição em publicação nas redes sociais.
Segundo o abrigo, a medida foi aplicada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e impede o funcionamento do espaço até que sejam cumpridas uma série de exigências estruturais, sanitárias e burocráticas.
Entre as determinações citadas pela instituição estão a obtenção de licenciamento ambiental, adequações estruturais nos canis e melhorias em áreas de sombra, além de outras exigências administrativas e sanitárias.
Com a decisão, o Abrigo Animais Carentes afirma que não poderá receber novos animais, realizar feiras ou eventos de adoção, nem promover ações para reduzir a lotação do espaço por meio de adoções.
De acordo com a instituição, o abrigo atua há cerca de 20 anos no resgate e cuidado de animais abandonados e atualmente mantém mais de 200 animais. A organização afirma que seu funcionamento sempre dependeu de doações e trabalho voluntário.
Na publicação que anunciou o possível fechamento, o abrigo também declarou que nunca recebeu apoio público para custear ração, medicamentos, estrutura ou manutenção do espaço.
O que diz a prefeitura
Em resposta ao VIXFeed, a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Vila Velha informou que realizou, na sexta-feira (13), uma fiscalização no local por meio da Diretoria de Bem-Estar Animal.
Segundo a prefeitura, a vistoria identificou “graves irregularidades incompatíveis com os parâmetros mínimos de bem-estar animal”.
De acordo com o órgão municipal, animais em estado crítico de saúde foram encontrados durante a fiscalização e encaminhados para hospital veterinário. Entre os casos citados estão dois animais diagnosticados com TVT (Tumor Venéreo Transmissível) que, segundo a prefeitura, estariam mantidos sem ventilação adequada e sem assistência veterinária compatível com o quadro clínico.
A secretaria também informou que foram identificadas outras irregularidades, como presença de roedores e baratas, animais expostos ao sol sem abrigo adequado, condições sanitárias e estruturais consideradas inadequadas para a quantidade de animais e a existência de um cemitério clandestino com sepultamento irregular de carcaças.
Ainda segundo a prefeitura, mais de 100 medicamentos veterinários vencidos foram encontrados e apreendidos durante a fiscalização.
Diante das irregularidades apontadas, o local foi interditado para a realização de eventos de adoção e proibido de receber novos animais até que as exigências estabelecidas pela fiscalização sejam cumpridas.
A Secretaria de Meio Ambiente informou que continuará monitorando o cumprimento das determinações e que novas medidas administrativas poderão ser adotadas caso as irregularidades não sejam sanadas.
O que diz o abrigo
Após a repercussão do caso, o Abrigo Animais Carentes publicou novos esclarecimentos nas redes sociais.
A instituição afirma que mantém o abrigo há cerca de 20 anos e que o trabalho é realizado de forma contínua por voluntários, muitas vezes abrindo mão de finais de semana, vida social e descanso para cuidar dos animais resgatados.
Em relação às críticas sobre a estrutura, o abrigo afirma que há meses tenta realizar reformas nos canis e melhorar as instalações, mas enfrenta dificuldades financeiras e falta de apoio.
Segundo a organização, pedidos de ajuda e mutirões já foram realizados para realizar melhorias no espaço, mas a participação teria sido baixa.
A instituição também afirmou que enfrenta dificuldades recentes após ter sido vítima de um assalto, além de problemas com o abastecimento de água, o que teria impactado os processos de limpeza diária.
Sobre as condições de saúde dos animais, o abrigo argumenta que muitos chegam em estado grave após serem resgatados nas ruas e passam por tratamento antes de serem encaminhados para adoção.
A organização também afirma que o grande número de animais torna a rotina de limpeza e manutenção extremamente intensa, destacando que cerca de 250 animais vivem atualmente no espaço.
O abrigo afirmou ainda que continua à disposição para prestar esclarecimentos e defendeu que seu trabalho sempre foi voltado ao resgate, tratamento e encaminhamento de animais abandonados.

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