Atualizado em 10/02/2026 – 21:13
Os dias de carnaval costumam revelar muito, especialmente em anos eleitorais. Desta vez, colocaram no centro das atenções os prefeitos de Vitória e Vila Velha, Lorenzo Pazolini e Arnaldinho Borgo, após desfilarem juntos no Sambão do Povo, exibindo sintonia, proximidade e admiração mútua.
Na política, onde os gestos costumam falar mais alto do que discursos, a cena não passou despercebida. A aparição conjunta acendeu alertas no grupo do governador Renato Casagrande, que não integra o mesmo campo político do prefeito de Vitória e que sempre considerou Arnaldinho como parte de sua base.
O movimento, porém, talvez não devesse causar tanta surpresa. Quando analisado à luz do cenário eleitoral que se desenha, ele parece menos episódico e mais estratégico. Vale lembrar a conhecida máxima de Leonel Brizola, segundo a qual “a política ama a traição e odeia o traidor”, frase que segue atual e frequentemente confirmada pelos fatos.
Arnaldinho é um político em processo de consolidação, com perfil conservador e alinhado à direita. Recebeu apoio decisivo de Casagrande em uma disputa eleitoral difícil e, a partir daí, construiu uma relação próxima com o governo estadual, beneficiando-se de investimentos e entregas que ajudaram a reverter problemas históricos de Vila Velha e a impulsionar sua popularidade.
Ao se observar os perfis políticos, é inegável que Arnaldinho guarda mais semelhanças com Pazolini do que com Casagrande. Ainda assim, o candidato do grupo ao cargo de governador não é o socialista, mas Ricardo Ferraço, que também possui um perfil semelhante ao do prefeito de Vila Velha. É nesse ponto que surge a principal interrogação: por que Arnaldinho não desejaria caminhar com Ricardo Ferraço?
Amparado pela força da máquina estadual, Arnaldinho conseguiu ampliar sua projeção política e alcançar um patamar que o credencia a disputar voos mais altos. No entanto, no momento em que o grupo que o apoiou formaliza seu projeto de continuidade com Ferraço, o prefeito passa a demonstrar hesitação, sinalizando que sua permanência nesse campo político já não é automática.
As pesquisas do VIXFeed ajudam a explicar parte desse dilema. Arnaldinho aparece atrás de Lorenzo Pazolini e de Ricardo Ferraço nas intenções de voto para o governo do estado. Nesse contexto, é improvável que qualquer um dos dois abra mão da cabeça de chapa para acomodá-lo, restando como possibilidades reais as negociações para vice ou para o Senado.
A partir daí, Arnaldinho passa a considerar algumas alternativas. Pode concluir seu mandato em Vila Velha sem disputar a eleição estadual; buscar uma composição como vice ou senador dentro do grupo de Casagrande; lançar uma candidatura própria, tentando minimizar atritos; ou, no caminho mais arriscado, aproximar-se do campo de oposição que hoje enfrenta aquele que lhe deu sustentação.
Independentemente da escolha, o fato é que Arnaldinho demonstra desconforto em permanecer onde esteve durante toda a gestão, mesmo tendo sido esse apoio fundamental para sua visibilidade e crescimento político. Os próximos movimentos dirão se haverá uma ruptura definitiva e com quais justificativas. Na política, como ensina o ditado popular, alianças raramente são neutras; afinal, “para trair e para coçar, basta começar”.

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